Tenho Dito


30/10/2009


Crônica da Semana - Bol 1717 - 01.11.2009

Preenchendo o questionário de filiação ao antigo partido que cuidava do interesse dos trabalhadores da republiqueta de bananas brasil:


- Se você tivesse dois apartamentos de luxo, doaria um para o partido?

 

- Sim! Respondeu o militante.

 

- E se você tivesse dois carros de luxo, doaria um para o partido?

 

- Sim! Novamente respondeu o valoroso militante.

 

- E se tivesse um milhão na conta bancária, doaria 500 mil para o partido?

 

- É claro que doaria. Respondeu o orgulhoso companheiro.

 

- E se você tivesse duas galinhas, doaria uma para o partido?

 

- Não! Respondeu o camarada.

 

- Mas porque você doaria um apartamento de luxo se tivesse dois, um carro de luxo se tivesse dois e 500 mil se tivesse um milhão, mas não doaria uma galinha se tivesse duas?

 

 - Porque as galinhas eu tenho.

 

      Tem muito cristão feliz na vida porque não se encontra mais fisicamente com Jesus pra perceber que ama mais essa vida do que o Reino de Deus. Sabem aquela conversa do “não que eu queira generalizar”, ou “do não que ache errado lutar por uma aposentadoria integral”, ou ainda “do não que eu não ache certo a pessoa lutar pra ganhar mais dinheiro”, e por aí vai? Nessa de ir por aí os cristãos ficam procurando imagens do anticristo apocalíptico nos tanques de guerra já se armando na improvável planície de ‘Armagedon’, ou mesmo tentando adivinhar como será a perseguição implacável que certamente será movida contra o povo de Deus, e ficam aterrorizados com cada explosão de gente no oriente médio, sempre pensando como será o fim de tudo.

       Se tivéssemos que temer algo no fim dos tempos, desde a era quando o anticristo se revelou vivo e ativo no nosso meio, ali na igreja primitiva, esse algo eu diria ser “estilo de vida”. Quando Ananias e Safira, dois riquinhos mesquinhos típicos, sonegaram bens ao próprio Deus, estilo de vida já era algo opressor. Imaginem o povo de “Edom”, talvez ali estivesse o nascedouro desse cancro social. Sodoma e Gomorra não valem nessa análise porque “estilo de vida” como ferramenta anticristã é algo que só se alastra subliminarmente. Quando a Igreja abre os olhos não compreende as amaras que a prendem. E são amarras tão politicamente corretas, tão bem ajustadas ao caminhar da história, que ratificam ainda mais o conceito de “estilo de vida”.

       Os cristãos estão inaceitavelmente escravizados por essas amarras. Não há mais tempo pra absolutamente nada. O corpo de Cristo na terra anda cambaleante, pra não dizer nauseabundo, com cada parte querendo assumir a função da outra, e a maioria querendo ser “cabeça”, tomando o lugar de Deus se preciso fosse, comandando as próprias decisões e considerando palavra profética como um joguinho de azar pra vender revista barata. Nesse contexto ouvir a voz de Deus é no máximo exercício de meditação transcendental pra oriental praticar e ocidental crente meter o cacete em livrinhos que mal dão pra calçar o pé quebrado de minha escrivaninha!

        É tão lúdica a vontade de comandar a própria vida que até um caminhoneiro que descarrega mercadoria lá no depósito da firma me contou que tinha pintado no pára-choque: “Dirigido por mim. Guiado por Deus.” Semana passada, depois da segunda batida nesse trânsito amalucado de Recife, mudou a pintura para: “Agora sou eu quem Guia mesmo!” Mas, em meio ao caos ético e de valores que nosso país vive dentro do trem da história, ainda há tempo pra ser cristão e perceber que, ao contrário de tudo pelo que a gente luta diariamente, o Reino de Deus não é comida, nem bebida, e quem quiser ser maior por lá seja quem sirva! Quem ainda tiver ouvidos pra ouvir, ouça!  

       Nosso boletim apressado e carregado chega trazendo na Capa meu velho amigo Hilquias Paim, pastor batista lá de Curitiba, questionando como estão se afinando a vontade de Deus e a nossa; na Reflexão nosso grande articulista Artur Gueiros falando-nos do perigo de se perder o senso crítico, de se ensoberbecer com a própria vida; no Caderno de Missões aparecem: a família Oliveira já recuperada do susto cirúrgico de Richard; os amados Heber e Suzi relatando toda opressão que têm enfrentado nos últimos tempos; Azimar debutando por aqui a partir do Timor Leste; Marquito surfando em muitas ondas abençoadas por Deus e a primeira parte do calendário de oração dos queridos Flávio, Verônica e Flavinho direto do Delta! Abrindo o mês de pequenos grupos; uma página inteirinha dedicada a esse ministério; inauguramos uma seção: vozes da comunidade; trazemos a página de crianças e as últimas da igrejinha!

       Hoje não vai dar tempo pra mais nada. É feriadão, tem reunião de planejamento do conselho, a família está atrapalhada no fim de semana, minha mulher vai dar plantão no sábado e eu vou ter que trabalhar na segunda: uns chamam a isso de estilo de vida, outros chamam produto das escolhas. Eu prefiro dizer somente: graças a Deus pela consciência.

       É isso aí, pessoal. Maranata! Vejo vocês no domingo, ou na glória! Fui!        

       Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 18h15
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23/10/2009


Crônica da Semana - Bol 1716 - 25.10.2009

        Dizem que pra se eleger presidente da republiqueta de bananas brasil em 2010 só fazendo todo tipo de aliança. Aliás, segundo nosso dileto molusco deficiente, que nos preside a tal republiqueta, mesmo Jesus, se quisesse se eleger, teria que se aliar até com Judas. O que meu ‘pré-salínico’ cabo eleitoral da ex-guerrilheira Wanda, Patrícia, Luíza, sei lá, desconhece é que Jesus se aliou a Judas. O tesoureiro dos discípulos é que não se aliou a Jesus. Porém Jesus e Judas se revelaram historicamente, e mesmo as ignorantes autoridades religiosas da época, prepotentes e detentoras da verdade como a maioria das autoridades religiosas, pelo sim, pelo não, preferiram crucificar Jesus. E Judas, além de ter sido o traidor de seu grupo, ainda foi um pífio negociador que vendeu Jesus a preço de banana – os trinta dinheiros simbolizavam na época uma espécie de convenção padrão de resgate de vidas. O preço de um homem.

       No Brasil de hoje fica difícil analisar quem é Jesus e quem é Judas. O preço da corrupção continua sendo de trinta dinheiros. Só muda mesmo a casa decimal – trinta milhões! Quando a gente pensa que o negócio vai dar certo de repente surge um corolário de traições morais e financeiras que deixam qualquer um com a sensação de que já viu esse filme antes. Se o país melhora como vagão da história a frustração é geral porque há quinhentos anos, quando fomos inseridos na história oficial, temos potencial pra sermos locomotiva! 2010 está chegando aí e novamente vamos assistir àquele desfile eleitoral de horrores, com filmes bem acabados exaltando as realizações nunca antes vistas na história dessa republiqueta de bananas, confrontados por filmes com música e jeito de  ‘Vincent Prize’ narrando o macabro coletivo comum da nossa vida! O único desejo é que a verdade seja mais palpável e descubramos, antes de digitarmos nosso voto, se o candidato é mais potencialmente Jesus ou Judas. Considerando que um foi crucificado e o outro se matou talvez uma terceira via fosse ideal, mas isso é coisa que nem de longe passa pelo cérebro mal formado do meu dileto molusco deficiente!        

       Essa semana eu senti os primeiros cheiros de fim de ano. Andando de madrugada pelo Parque da Jaqueira fui invadido pelos aromas das árvores que florescem nesse pequeno projeto de primavera regional! São cheiros que remontam aos melhores anos da vida quando passeava pelos arredores da casa de meus pais! E pensar que um Judas desses daí, o atual presidente do INSS, quer revogar uma doação feita há 25 anos, quando a prefeitura de Recife recebeu a área do atual parque! Alega que a área é pra lá de comercial, o que ninguém discute. Mas metro quadrado, por metro quadrado, ninguém falou ainda em pegar de volta a área da excrescência chamada Parque D Lindú. Aliás, assistindo a algumas cenas do filme político-eleitoral, que será lançado em breve, sobre meu estimado guru, fiquei impressionado com a mãe dele. Também com Glória Pires no papel de mãe, D Lindú poderia se candidatar pra Academia Brasileira de Letras. Se a arte imitasse a vida de fato o papel se encaixaria como uma luva na vida de “Quéo”, “Créo”, “Cleonice”, a emprega de minha casa. Como isso aqui ainda não virou escritório, muito embora trabalhe parte do tempo em casa, em vez de secretária, como muitos por aí, ainda temos empregada doméstica. Ela nem precisaria fazer oficinas de teatro – era só abrir a boca e ser ela mesma! Por isso, indico “Créo” pro papel da mãe que pariu o molusco na continuação da saga que será rodada quando ele subir a rampa novamente em 2015: “Lula, O Filho do Brasil 2 – A Missão”.

       A IP Graças viveu uma semana de ressaca típica de pós-encontro de jovens. Mas depois de um fim de semana sensacional o ânimo na caminhada foi plenamente renovado. Quem inventou esse negócio de Encontros com Cristo deveria ganhar uma medalha! Grande estratégia de evangelismo urbano, grande mobilização do corpo de Cristo. Ainda curtiremos os novos achegados por um bom tempo. Quem não participou também pode curtir dois sermões pra lá de especiais do meu amado pastor Iraque. A igrejinha cresce e abre múltiplos espaços ministeriais, Encontre o seu!

        Nosso boletim ainda respira o encontro de jovens e traz na capa nosso talentoso Dakinho, que foi o apresentador do encontro e nos fala da abrangência e do impacto do evento na vida de todos; depois Rayssa nos aguça a percepção pro ‘agir’ de Deus; ainda trazemos um especial do 21º EJC com uma carta emocionante dos representantes da comunidade de Curado 4; no Caderno de Missões vamos do Peru ao Ceará; Ariovaldo Ramos encerra o especial do mês da Reforma Protestante e o nosso amado Pr Enos Moura, conosco nesse fim de semana, revela  mais histórias dos bastidores da igrejinha em seus 35 anos; depois vem a página das crianças e, fechando o caixão, as últimas da vidinha eclesiástica.

         Antes de nos irmos envio um caloroso abraço a tantos distantes e saudosos irmãos. Destaco especialmente meus velhos companheiros de juventude da Igreja Presbiteriana de Boa Viagem, que passam a receber nosso boletim. Quer dizer, se me agüentarem! Mas acho que eles me suportarão pelo menos um pouco mais do que o novo tempo do banho venezuelano, sugerido pelo mais perfeito pateta sul-americano, aquele soldadinho ridículo saído das páginas amarelecidas do glorioso Pasquim. Como esse símbolo da democracia é ídolo aqui na republiqueta acho que vou logo tomar meu banho antes que ponham um temporizador no meu banheiro! 

       É isso aí, pessoal. Maranata! Vejo vocês no domingo, ou na glória! Fui!        

       Adilton Andrade

 

 

Escrito por Adilton Andrade às 10h07
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16/10/2009


Crônica da Semana - Bol 1715 - 18.10.2009

        Na unidade militar morreu a mãe do soldado Joaquim. Preocupados e sem saber como dar a terrível notícia ao soldado o sargento foi logo se voluntariando:

 

       - Sem problemas. A gente sabe como dar a notícia!

 

       Mandou a 6ª Cia entrar em forma e comandou a formatura:

 

       - Atenção, Companhia! Companhia, SENTIDO! Quem tem mãe viva um passo à frente. MENOS VOCÊ, SOLDADO 47!

     

       A comunicação nos grupos sociais não raras vezes é revestida de sutilezas desse tipo! E quem se comunica, ou por prazer, ou obrigação, enfrenta dilemas terríveis quanto à transmissão, sobre a forma ideal e outras crises existenciais comunicativas do gênero. Aliás, considerando a forma como quem se comunica, principalmente se, a usar de expedientes como o do sargento da piada, prefere ser direto e claro, vem sendo hostilizado, vide os casos clássicos dos patetas sul-americanos: o índio drogado, os que se vestem de farda militar de baile de carnaval de terceira, nosso molusco deficiente presidente, e até a presidente fantoche dos nossos “hermanos” argentinos, sem contar o tétrico espetáculo do outro drogado, técnico da seleção lá dela, agradecendo a todo o povo, menos aos jornalistas, pela sofrida classificação pra Copa da África do Sul, é de se pensar e se avaliar com muito cuidado se há algo de errado com o conteúdo da mensagem e com o vetor de transmissão antes de se colocar a CIA em forma. Temos que ser sutilmente agressivos e verdadeiros, falando às claras o que tem que ser dito, ou esquecer tudo e publicar uma poesia como o faziam os jornais censurados pelo regime militar, externando uma alienação revoltosa e revoltada contra o ‘status quo’? E quando os críticos falam bem estão manietados também, ou elogiar a qualquer custo pode? Ser sutil e bombástico, ou ser verdadeiro, mas com sensibilidade?

       A igreja, não a instituição, esse corpinho deformado de Jesus, mas o outro corpo, o verdadeiro, aquele que vai se encontrar de fato com o Senhor nos ares, também enfrenta problemas de toda ordem na comunicação! Muitas das vezes, diga-se de passagem, fruto de idiotas cristãos: aquele tipinho que é nova criatura, que constrói uma nova caminhada, mas que produz também uma nova escala de idiotices, como pecador que continuou a ser, mesmo embarcado nessa nova perspectiva de salvação. Há também duas subespécies bastante nocivas: os idiotas cristianizados – esses ainda continuam comendo das panelas de carne do Egito, e guardando o maná de um dia pro outro; e os cristãos idiotizados – os pobres inocentes que habitam as periferias sócio-espirituais, como aqueles judeus ‘gadarenos’ que criavam porcos, quase fora de Israel, e que foram visitados pelo Senhor Jesus; mas, passados dois mil anos, o povinho de Deus ainda continua voluntariamente se acorrentando a dilemas como apontar argueiros nos olhos dos outros, sem tirar a trave dos próprios, e julgar o próximo esquecendo-se de que serão julgados com os mesmos adjetivos! E a igrejinha, então, vai sendo minada pela língua atroz até de quem se julgava tão acima dessa realidade que pensava falar com sensibilidade. Mas a misericórdia, cada vez mais rarefeita, surge no máximo revestida da sutileza do sargento. E o pobre cristão soldado Joaquim sai da formatura apenas como um número, com a sensação de que, como cristão que se diz ser, o irmão sargento consegue no máximo ser um otário galvanizado pelo seu projeto medíocre de fé!   

        Mas vamos que vamos que a campanha presidencial começou pra valer, pelo menos nas brenhas sertanejas: é tanta visitação de pré-candidato querendo falar a linguagem do matuto da caatinga que fica engraçado de se ouvir. Nessa competição nosso molusco deficiente, que nos preside a republiqueta de bananas brasil, ganha de longe, e sem fazer esforço algum. Entretanto a orientação que ele deu essa semana, na sua sexta visita do ano ao estadinho de Pernambuco, foi deveras perigosa: ele orientou o povo a votar de forma a eliminar os maus políticos na próxima eleição. Se isso acontecer vamos viver um período de quase recesso na casa de mãe Joana congresso nacional, e vão se acabar as alianças governistas que o antigo partido que defendia os interesses dos trabalhadores adora fazer! Sem alianças vai ficar difícil pra ex-guerrilheira governar. Só alguns senadores, que já carregam suas alianças de casamento no bolso, pra adulterarem sob uma imagem de solteiro mais consolidada, estão adorando, porque retirarão o termo adultério da circunscrição familiar, que para eles não vale muito mesmo, oficializando-o em todas as esferas de sua conduta pública. Serão quatro anos de mais do mesmo, até que nosso molusco volte triunfante pra abrir os jogos olímpicos do Rio de Janeiro!

       E bem que a igrejinha das Graças curtiu o feriado da semana: alguns com ‘Jaime Kemp’, no Acampamento Palavra da Vida, outros com “Dai-me Cem”, gastando adoidado no final de semana prolongado, mas muitos se quedaram a ouvir os dois sermões do amado Pastor Sávio em um domingo de bancos vazios, mas muita Graça do Senhor sobre nossas vidas! A devocionalidade que jorra de Sávio é tamanha que a gente fica com água na boca, torcendo pra que chegue logo a última ceia do Apocalipse! Nesse clima de adoração nosso boletim traz na capa eu mesmo, falando dos 200 boletins completados desde que assumi esse trabalho; (não sei onde meu amado pastor Sergio estava com a cabeça quando me meteu nessa!); na reflexão um dos meus polemistas prediletos, Claudio “Banana” Paiva, falando da incrível pessoalidade do tratar de Jesus com cada um de nós; depois trazemos um especial com o sempre amável Rev Enos Moura, que transpira IP Graças, falando dos bastidores da história da igrejinha; no Caderno de Missões, Everton e Nayra nos falam da retomada da vida na Espanha; Marcos, nosso amado poeta do Sal da Terra, e Jorge e Aldenice, continuam vibrando com Caiçarinha da Penha; e no Especial Reforma, ‘Seu Chico’ nos traz mais um capítulo da história da Reforma Protestante; depois vem a página do ministério da infância e as últimas da igrejinha!

      Um abraço fraterno e saudoso a tantos irmãos. Vamos remir o tempo, mesmo de cofres vazios. Isso é o ‘Paradoxo de Mano’ aplicado à vida do trabalhador escravizado pelo sistema miserável dos que vivem sob a égide da CLT. É isso aí, pessoal. Maranata! Vejo vocês no domingo, ou na glória! Fui!            

       Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 07h14
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09/10/2009


Crônica da Semana - Bol 1714 - 11.10.2009

        Em 1981, 1982 e 1985, fomos por três vezes com um grupo fazer uma espécie de prospecção social na então perigosa favela do Mata Sete, nas adjacências do Shopping Center Recife, o shopping. Favela agora é comunidade, é tudo de alvenaria. O Mata Sete está morrendo aceleradamente com a especulação imobiliária comendo pelas bordas a antiga presença miserável do bairro. O que mais me chamava atenção naquelas visitas quase românticas, era o disparate entre a desgraça de vida, a pobreza das moradias e alguns bens de consumo, especialmente aparelhos de som e de televisão, que ocupavam as paupérrimas prateleiras daquela gente tão sofrida. Quando perguntávamos sobre filhos as respostas eram chocantes: “Tivemos 14, sobreviveram 08, mas agora só restam 06.” Porém quando indagávamos a respeito da completa incoerência entre a moradia e aqueles bens de consumo a afirmativa sempre vinha de bate pronto: “Nós temos o direito, não?”. Quando vi meu dileto molusco deficiente, que nos preside a republiqueta de bananas brasil, premiado no seu esforço por conquistar o direito de sediar os jogos olímpicos de 2016 na cidade do Rio de Janeiro, afirmando com os olhos marejados que “nós temos o direito”, foi impossível não lembrar daqueles oprimidos sociais moradores das comunidades adjacentes ao templo de consumo da cidade.

        Nosso molusco merece os parabéns pelo empenho, pela dedicação e por ser essa pessoa simples que, abandonando os excessos de uma demagogia rasteira será um sério candidato ao prêmio que Obama ganhou essa semana, consegue falar exatamente a linguagem do homem comum tupiniquim. Agora que nos seja permitido sonhar que, 30 bilhões de reais depois, haverá uma vida mais justa pro cidadão carioca, e que o país acordará para investimentos de base que transformem de fato o bem-estar social do homem comum da nação. Chegar a 2016 com a metade dos lares nacionais sem saneamento, ou como em Recife, a Veneza Brasileira, onde temos a mesma rede de saneamento desde 1949, será duro de digerir, e não haverá mais rio, nem canal, pra poluir. Mas o que nos despertou pra doente morosidade nacional, no que tange à eficiência do trabalho, foi uma proposta da pleonástica Associação dos Funcionários Públicos Baianos: “Já que teremos Copa do Mundo em 2014 e agora Jogos Olímpicos em 2016, por que a gente não enforca 2015?”

       Falamos de esgoto pra esquecer a lama da educação e da podridão da saúde. E falar de política só se for pra transformar a fossa casa de mãe Joana Congresso Nacional em uma estação de tratamento de dejetos. Mas a vida vai passando e o país se perguntando se há crise, ou não há? Fomos atingidos, ou não? Pra fechar o discurso do palanque situacionista do ano que vem: não há! Pra devolver os impostos pagos a mais em 2009: sim, há! Essa vida de conveniências e adequações assusta até mesmo o fariseu mais enrustido que esquenta os bancos da IP Graças. Sim, porque ser enrustido no mau comportamento é a praia do farisaísmo, sempre pronto a acusar, e nem Jesus se salvou dessa sanha destruidora de almas! Aliás, o que esses religiosos mais abominam é uma vida piedosa!

       Enquanto isso, nós atravessamos o domingo passado de forma muito especial com o aniversário do Coro Graças, e com nossa regente Rejane botando pra quebrar no melhor estilo jazzístico, pincelado de ‘negro spiritual’, com meu amado Mano mais uma vez jogando em todas as posições do culto. Se houvesse um teólogo Cláudio Coutinho, paródia do famoso técnico campeão moral da copa da Argentina de 1978, certamente Mano faria o culto total – paráfrase do futebol total que Dirceu jogava como ninguém! No popular: Mano bateu o escanteio, correu pra cabecear e ainda fez o gol, meu irmão! Se cotação de pastor se contasse assim ele já estaria pregando na Europa!

        Bem, pessoal, nosso boletim vem chegando recheado de homenagens ao dia das crianças e com algumas reflexões interessantes: na Capa, uma poesia com o deboche infantil mais fino e cristão, afirmando que não se pode sonhar em crescer pra ser algo, a não ser na perspectiva de Deus, porque aí já seremos desde o dia em que o conhecemos em espírito e em verdade, e quanto mais cedo, tanto melhor; na Reflexão uma adaptação de um grande artigo de Caio Fábio conclamando os cristãos a resistirem ao diabo; no Caderno de Missões, Sal da Terra fala de Caiçarinha da Penha e mostra nossos habilidosos arquitetos produzindo o projeto final da futura igreja local; ainda temos Marcia Cavalcante de malas prontas pra voltar ao Timor Leste; depois, duas páginas de um Especial Dia da Criança, abrindo com nosso sócio, Enos Filho, falando dos pequenos adoradores de Deus; ainda uma mensagem da liderança do Ministério da Infância da igrejinha; no Especial Reforma um resumo da vida de João Calvino; aí vem a Página do Ministério da Infância, e então as últimas da igrejinha destacando: o nascimento da filhinha de Uziel (Cada vez que nasce uma princesinha aumenta a lista de pais de príncipes agradecidos: começando pelo próprio Tio André, Abelhinha, Adelson, Adilton, Fabinho, Jorginho, e nem vou falar o resto do alfabeto pra Uziel não ficar deprimido!); a viagem de Arthur a terras canadenses; e o grande aniversariante da semana, nosso amado e estimado pastor Enos Moura, chegando semana que vem pra curtir a vida pernambucana que ele tanto ama, e pregar nas Graças pra nossa alegria!

       Antes de nos irmos, aproveito pra enviar um carinhoso abraço a tantos irmãos distantes e saudosos espalhados por esse mundão de Deus. Mas essa mistura de hoje, unindo crianças e futebol, especialmente com a chegada da última rodada das eliminatórias da copa de 2010, lembrou-me uma frase decifradora do momento da seleção argentina, pra qual todo brasileiro legal torce. Pela eliminação, é lógico. Vamos à frase: “A  Seleção da Argentina é igual ao Michael Jackson: promete show, vende ingresso e morre em casa, assistida por um profissional especializado em drogas.”

       É isso aí, pessoal. Maranata! Vejo vocês no domingo, ou na glória! Fui!            

Escrito por Adilton Andrade às 18h51
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01/10/2009


Crônica da Semana - Bol 1713 - 04.10.2009

       Adolescentes. Ainda ontem eram crianças que caminhavam de mãos dadas, infantilmente seguras de si e despreocupadas com a vida! E se por acaso, ou por herança emocional, exalavam uma natural simpatia logo desfrutavam da graça comum e coletiva, além de um sentimento de pertencimento, de inclusão tolerante no círculo social. Mas eis que de repente os hormônios entram em erupção. Os paradigmas caem por terra e um novo mundo surge! Recomendações soam agressivas e construir o próprio mundo, mesmo que se corra o risco de gastar energia reinventando a roda, transforma-se no paradigma substituto definitivo até a próxima mudança de rota! Que poderá ser já na próxima esquina. Ontem sonhava em ser astronauta. Astronauta mesmo, não aquele projeto milionário falido tupiniquim de uma viagem só. De repente o projeto de vida agora passa por uma ONG que liberte o homem da escravidão paulatina e alienante da dependência estatal medíocre. Ontem a família, agora a turma!

      País adolescente. Ainda ontem produziu um homem da estatura de José Maria da Silva Paranhos Junior, mais conhecido como Barão do Rio Branco, hábil negociador, com autoridade e respeito conquistados em sua trajetória de vida, diplomata que parecia consolidar uma vocação de ponderação para a republiqueta. De repente somos trôpegos, quase estabanados e atropelados por uma visão de mundo curta e pouco esclarecida que nos faz inverter históricos, acusações e partidos. Parafraseando a comparação brilhante entre a filha Argentina e a mãe Espanha do grande escritor portenho Hernán Casciari: “...o Brasil não é nem melhor, nem pior do que Portugal. É apenas mais jovem!” Na verdade o mundo implora pelo amadurecimento desse adolescente que mal começou a explorar a vida. Urge que nossas autoridades percam aquele sorrisinho deslumbrado de canto de boca, típico dos que não possuem fundamentação e conteúdo para encarar o papel de atores da história com a segurança, o esclarecimento, a objetividade e a ponderação requeridas das lideranças. E pra piorar o quadro, a turminha adolescente da ‘rua sul-americana’ já se perverteu de há muito.

       Enquanto isso continua tudo como dantes no barraco de ‘Abrantes’! Já que os brasileiros sem projeto e sem futuro andam assaltando até quartel, o negócio é se refugiar no barraco mesmo! A época deveria ser de questionamentos adolescentes! Porém quando olhamos pra nossa republiqueta de bananas vemos um discurso bem armado e sustentado pelo pagamento em dia das bases. Pernambuco se transformou no estado do futuro. Não se sabe precisar o dia inicial, mas projetar é sempre fantástico! Como diria Luther King Jr, “o que seria do homem sem seus sonhos!” O fato é que chafurdamos nesse marasmo de cooptados em série, e como sociedade perdemos paulatinamente o inconformismo que deveria ser a marca da faixa etária nacional.

      A IP Graças, nesse contexto, ganha aquela efervescência adolescente quando escutamos ‘Casting Crowns’ cantando “If We Are The Body” e questionando, de forma inconformada, as incoerências próprias do homem desmascarado pela perscrutadora e afiada mente do Senhor Jesus! Infelizmente o caráter de vários irmãos ainda caminha conforme aquele teste que certo patrão resolveu fazer com um de seus empregados depositando-lhe quinhentos reais a mais no salário do mês. Passaram-se os dias e nenhuma reação do tal beneficiado. No mês seguinte o patrão ordenou que depositassem o salário com quinhentos reais a menos. No mesmo dia o funcionário foi à sala do patrão para uma convesa:

 

      - Doutor, eu acho que houve um engano e me tiraram R$ 500 do salário.

      - É? Curioso que no mês passado eu coloquei $ 500 a mais e você não falou nada.

      - É que um erro eu tolero, doutor, mas DOIS, eu acho um absurdo!

 

       De observadores de argueiros de olhos alheios o corpo está obeso. Mas se somos o corpo de fato está na hora de uma dieta individual de retirada das traves dos nossos! Tem muita gente caída nas encruzilhadas existenciais e os discípulos, que barganham com Deus, passando ao largo, vomitados pelo famoso discurso: “Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou desprezado como forasteiro, ou mesmo nu, ou enfermo, ou preso?” Aferindo as literalidades é triste saber que ainda tem gente na IP Graças que preferia não encontrar os irmãos da comunidade do Pilar freqüentando os cultos!

       Inclusivo, mas somente na Graça de Jesus, aí vem chegando nosso boletim: na capa, Kátia e Junior, da Doxa, fazem-nos refletir sobre um coração sempre agradecido ao Senhor; na reflexão, nosso sócio, Enos Filho, fala-nos dos benefícios de se viver uma crise; no Caderno de Missões trazemos as notícias atualizadas de Limoeiro, um artigo pra lá de especial de Augustus Nicodemos sobre a farra neopentecostal que invadiu a igreja protestante brasileira, a confirmação da ida de Azimar para o Timor Leste, o calendário de oração do Delta, e a notícia do Projeto Transforma Jovem sobre o lançamento do Banco Comunitário para a comunidade do Pilar; depois vem a página de crianças e as últimas da igrejinha! Aproveito aqui pra enviar um saudoso e afetuoso abraço aos distantes e saudosos irmãos: Teté, a sumida de Sampa, Miriam, de Sergio, uma das pessoas com quem mais divirto nos e-mails, Flávio Medeiros, alguém com quem já tive o prazer de tomar um copo d’água, como ele mesmo gosta de dizer!

       Antes de fechar o esquife, um desmentido oficial direto de Copenhague: apesar do ministério da educação haver atrasado enormemente o pagamento dos fiscais, do lanche e do aluguel das salas pro exame do ENEM, que já seria realizado nesse domingo, não está confirmado ainda que funcionários do ministério teriam deixado vazar deliberadamente a prova pra provocar o adiamento da mesma, dando tempo ao nosso dileto molusco deficiente, que nos preside a republiqueta de bananas brasil, de estar aqui pra fazer a prova também! É que ele pensava que precisava do exame do ENEM pra se matricular no curso de datilografia “Nove Dedos”, lá de São Bernardo! Esse molusco está impossível!      

       É isso aí, pessoal. Maranata! Vejo vocês no domingo, ou na glória! Fui!            

       Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 20h14
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