Preenchendo o questionário de filiação ao antigo partido que cuidava do interesse dos trabalhadores da republiqueta de bananas brasil:
- Se você tivesse dois apartamentos de luxo, doaria um para o partido?
- Sim! Respondeu o militante.
- E se você tivesse dois carros de luxo, doaria um para o partido?
- Sim! Novamente respondeu o valoroso militante.
- E se tivesse um milhão na conta bancária, doaria 500 mil para o partido?
- É claro que doaria. Respondeu o orgulhoso companheiro.
- E se você tivesse duas galinhas, doaria uma para o partido?
- Não! Respondeu o camarada.
- Mas porque você doaria um apartamento de luxo se tivesse dois, um carro de luxo se tivesse dois e 500 mil se tivesse um milhão, mas não doaria uma galinha se tivesse duas?
- Porque as galinhas eu tenho.
Tem muito cristão feliz na vida porque não se encontra mais fisicamente com Jesus pra perceber que ama mais essa vida do que o Reino de Deus. Sabem aquela conversa do “não que eu queira generalizar”, ou “do não que ache errado lutar por uma aposentadoria integral”, ou ainda “do não que eu não ache certo a pessoa lutar pra ganhar mais dinheiro”, e por aí vai? Nessa de ir por aí os cristãos ficam procurando imagens do anticristo apocalíptico nos tanques de guerra já se armando na improvável planície de ‘Armagedon’, ou mesmo tentando adivinhar como será a perseguição implacável que certamente será movida contra o povo de Deus, e ficam aterrorizados com cada explosão de gente no oriente médio, sempre pensando como será o fim de tudo.
Se tivéssemos que temer algo no fim dos tempos, desde a era quando o anticristo se revelou vivo e ativo no nosso meio, ali na igreja primitiva, esse algo eu diria ser “estilo de vida”. Quando Ananias e Safira, dois riquinhos mesquinhos típicos, sonegaram bens ao próprio Deus, estilo de vida já era algo opressor. Imaginem o povo de “Edom”, talvez ali estivesse o nascedouro desse cancro social. Sodoma e Gomorra não valem nessa análise porque “estilo de vida” como ferramenta anticristã é algo que só se alastra subliminarmente. Quando a Igreja abre os olhos não compreende as amaras que a prendem. E são amarras tão politicamente corretas, tão bem ajustadas ao caminhar da história, que ratificam ainda mais o conceito de “estilo de vida”.
Os cristãos estão inaceitavelmente escravizados por essas amarras. Não há mais tempo pra absolutamente nada. O corpo de Cristo na terra anda cambaleante, pra não dizer nauseabundo, com cada parte querendo assumir a função da outra, e a maioria querendo ser “cabeça”, tomando o lugar de Deus se preciso fosse, comandando as próprias decisões e considerando palavra profética como um joguinho de azar pra vender revista barata. Nesse contexto ouvir a voz de Deus é no máximo exercício de meditação transcendental pra oriental praticar e ocidental crente meter o cacete em livrinhos que mal dão pra calçar o pé quebrado de minha escrivaninha!
É tão lúdica a vontade de comandar a própria vida que até um caminhoneiro que descarrega mercadoria lá no depósito da firma me contou que tinha pintado no pára-choque: “Dirigido por mim. Guiado por Deus.” Semana passada, depois da segunda batida nesse trânsito amalucado de Recife, mudou a pintura para: “Agora sou eu quem Guia mesmo!” Mas, em meio ao caos ético e de valores que nosso país vive dentro do trem da história, ainda há tempo pra ser cristão e perceber que, ao contrário de tudo pelo que a gente luta diariamente, o Reino de Deus não é comida, nem bebida, e quem quiser ser maior por lá seja quem sirva! Quem ainda tiver ouvidos pra ouvir, ouça!
Nosso boletim apressado e carregado chega trazendo na Capa meu velho amigo Hilquias Paim, pastor batista lá de Curitiba, questionando como estão se afinando a vontade de Deus e a nossa; na Reflexão nosso grande articulista Artur Gueiros falando-nos do perigo de se perder o senso crítico, de se ensoberbecer com a própria vida; no Caderno de Missões aparecem: a família Oliveira já recuperada do susto cirúrgico de Richard; os amados Heber e Suzi relatando toda opressão que têm enfrentado nos últimos tempos; Azimar debutando por aqui a partir do Timor Leste; Marquito surfando em muitas ondas abençoadas por Deus e a primeira parte do calendário de oração dos queridos Flávio, Verônica e Flavinho direto do Delta! Abrindo o mês de pequenos grupos; uma página inteirinha dedicada a esse ministério; inauguramos uma seção: vozes da comunidade; trazemos a página de crianças e as últimas da igrejinha!
Hoje não vai dar tempo pra mais nada. É feriadão, tem reunião de planejamento do conselho, a família está atrapalhada no fim de semana, minha mulher vai dar plantão no sábado e eu vou ter que trabalhar na segunda: uns chamam a isso de estilo de vida, outros chamam produto das escolhas. Eu prefiro dizer somente: graças a Deus pela consciência.
É isso aí, pessoal. Maranata! Vejo vocês no domingo, ou na glória! Fui!
Adilton Andrade




Leia este blog no seu celular