Tenho Dito


27/08/2009


Crônica da Semana - Bol 1708 - 30.08.2009

       Vai se revelando o caráter da futura presidente da republiqueta de bananas brasil: após 08 anos do ‘cachaceiro do planalto’, do ‘molusco deficiente’ e coisa e tal, vem por aí “A Mentirosa”. Até parece título de novela das seis, mas é a mais pura verdade. É tanta mentira junta que a imitação de Jacó que vivi durante alguns anos vira apenas uma historinha pra criança dormir. Na verdade vai ser apenas a continuação das tantas falácias atuais, com a evolução de que se o cachaceiro, ou não foi o ator e autor, ou não sabia de nada, de 2011 em diante teremos uma diretora-atriz concorrendo ao oscar de melhor roteiro adaptado, porque no de melhor figurino, leia-se maquiagem, ela já concorre na mesma condição daqueles velhos gays velhos dos concursos de fantasia dos antigos carnavais: oconcour.

       Entretanto, depois do palácio do planalto ficar tão encalacrado, mais parecendo aqueles conceitos introdutórios das palestras sobre ‘nova era’ de meu estimado guru Dr. Samuel Costa, com a história do tal filme do ‘Encontro Marcado’ entre a mãe do PAC, Plano de Achatamento Cerebral, e a ex-secretária da Receita do ‘Bolo’ Federal, também transformada na nova gripe que acomete o aético partido nascido no ABC paulista, a ‘su-Lina’, a gente ficou sem entender se o filme do encontro foi apagado, se não foi feito, se foi gravado e apagado estrategicamente, ou se a empresa de segurança do Planalto estava assistindo ao jogo do coringão, tomando uma caninha com o patrão, e não assistiu, nem gravou, o encontro, esperando por alguma seqüência póstuma da obra do escritor Fernando Sabino! 

      Então chegamos àquela fase do ano marcada pelas chamadas televisivas de um tal projeto social da rede que nos faz de bobos diariamente. O mais engraçado na leitura dos projetos patrocinados pelas doações do povão é que, ou está nascendo uma nação de dançarinos, batuqueiros percussionistas, artesãos, capoeiristas, e estilistas, ou falta criatividade e ciência pra estimular os menores carentes e oprimidos pela nação afora a construírem uma nova realidade. Até nos confis do Amapá, numa reportagem sobre um projeto que se dizia apoiar algo diferente – auxílio ao caótico transporte público, de repente revelou-se a atividade fim do projeto: fabricar peças de artesanato de uma madeira típica da região. Nada contra artesanato, nem contra a arte enfim, mas será que não há nada mais criativo e pragmático que liberte de fato essa massa desgraçadamente oprimida, que mendiga nas paupérrimas escolas municipais e morre nas filas fétidas dos péssimos hospitais públicos?

      Enquanto isso, aqui na igrejinha, o fim de semana foi muito massa! Depois de uma overdose de Lutero, overdose sim, porque depois que a Argentina descrimanalizou o uso pessoal da maconha e a seleção portenha já pensa em anunciar o porte de outra droga alucinógena, além do seu técnico, teve gente desejando o amado pastor pra consumo pessoal apenas. Só que, além de muito amado pela igrejinha, ele é um profeta do Senhor pra vida dos pastores, dos líderes, e do rebanho como um todo. Todavia, por enquanto a gente vai ter que se satisfazer com doses apenas homeapáticas do querido irmão que abençoa atualmente as terras soteropolitanas.

      Com a sua passagem, porém, Lutero desvendou algo que mentes divagadoras como a minha foram logo identicando como a matriz geradora de todos os idiotas eclesiásticos. Meditando na carta de 3ª Jo 1:09-11, ele nos falou da figura asqueirosa de Diótrefes, ou vulgarmente, “I-Diótrefes”, caricatura dos deliberada e ostensivamente soberbos, dos perseguidores dos cristãos humildes, dos torpemente maliciosos, dos repelidores incautos daqueles sinceramente aproximados do Senhor, enfim, de gente que pensa que viu a Deus, mas espiou no máximo a sombra do lobo sapricó travestido de ovelha!

      Envolto em balidos legítimos, de ovelhinhas recém-nascidas, nosso boletim fecha o mês de missões bastante apreensivo com o tamanho da responsabilidade da proclamação do evangelho de Jesus. Era obra pretendida pelos anjos, mas o Senhor preferiu nos escolher. Na capa,  Vilma Lidório, leva-nos a um grande auto-exame; nosso outro sócio, Cláudio ‘Banana’ Paiva, traz-nos a certeza da segunda lei de Newton aplicada à relação com Deus; o Caderno de Missões, encerrando o mês missionário, traz a última parte do desafio missionário no sertão nordestino; direto da África do Sul Verônica Farias vai vestindo a roupa de missionária; Ricardo e Janine falam do recém-nascido trabalho em João Alfredo; Osni e Cláudia nos atualizam sobre a realidade do Ramadã, e finalmente um fragmento de mensagem que vai nos acompanhar até agosto de 2011 – somos embaixadores de um reino que não é desse mundo. Fechando o caixão, as últimas da igrejinha que vai se movimentar muito nos próximos dias!

       Antes de encerrar, aqui vai uma homenagem ao meu bom e velho amigo André, que eu só consigo chamar de Deco. Ele é a personificação atualizada da ‘Velhinha de Taubaté’, aquele personagem antológico do maravilhoso escritor Luis Fernando Veríssimo, que  simbolizava a última cidadã tupiniquim que ainda acreditava no Regime Militar, lá pelos idos de 1980, aplicada à torcida do Sport Clube do Recife e à crença de que o time não jogará na segunda divisão em 2010. Como ele mesmo me disse: “Se estamos na luta temos que acreditar na vitória. Mesmo que ela aparente ser remota!”. Entretanto, como o time aparenta já ter morrido, veio-me a fúnebre e divertida idéia de elaborar um epitáfio legitimamente rubro-negro. Pesquei alguns exemplos por aí: epitáfio de um enólogo – Cadáver envelhecido em caixão de carvalho, aroma formol e after tasting que denota presença de microorganismos diversos”; epitáfio do técnico da seleção argentina de futebol “Enfim, pó!”; do vice-presidente José de Alencar – “Enfim, fóssil!”; epitáfio de nosso estimado molusco – “Enfim, sóbrio!”; e do nosso glorioso clube: “Enfim, B!”. É isso aí, pessoal. Maranata! Vejo vocês no domingo, ou na glória! Fui!           

       Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 19h58
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20/08/2009


Crônica da Semana - Bol 1707 - 23.08.2009

       Eu confio tanto no bispo Edir Macedo e nas Organizações Roberto Marinho quanto confiaria no famoso estuprador, o conhecido bandido ‘Maníaco do Parque’, como preceptor de um internato de moças. Agora, que é verdade que a equipe de pastores escroques da Igreja Universal, do Reino desse deus deles aí, sempre vendeu prosperidade, em nome de um falso evangelho, todos nós já sabíamos desde o tempo em que o pastor bandido-chefe disputava a audiência de televisores ligados apenas com o outro camelô televisivo, o do Sistema Brasileiro de Televisão. Porém comprar briga com uma organização global, quase mafiosa, assemelhada no caráter convenientemente metamórfico de seus posicionamentos somente ao atual partido dos trabalhadores, é entrar em briga de cachorro grande! Aí essa rede, que nos faz de bobos, invocará todos os seus demônios perscrutadores. E nisso eles ganham da Polícia Federal até quando ela quer trabalhar.          

        Mas, falando no sapricó, a Universal sempre foi pródiga em demônios. Só que os demônios de lá são muito mais populares que os de cá. Adoram uma possessão pirotécnica e amam aparecer na televisão. Já os demônios espertos, intelecutais e ruins pra dedéu, são ligados mesmo é na fleuma presbiteriana. Curtem a forma hipócrita e dissimulada de muitos crentes presbiterianos. Divertem-se com a superficialidade com que eles constroem seus relacionamentos. Vibram com o estilo de vida adaptado ao pecado e neutralizado pelos padrões do presente século! Comemoram a inversão de valores e soltam fogos cada vez que um irmãozinho dobra o seu vizinho e o fura-bolos, esticando o maior de todos pelo trânsito afora na distribuição de imperativos inomináveis física, mental e espiritualmente.

        No dia do grande encontro, quando muitos aloprados universalistas da fé levantarem o currículo de realizações diante do Senhor Jesus e não forem reconhecidos pelo mesmo, faz medo visualizar um monte de gente que, além de não ter feito maravilha alguma, posto haverem construído um evangelho maniqueísta, perseguidor da intelectualidade, não medievais queimadores de livros,  mas modernos trituradores de idéias, ostentando com orgulho pesadas vestes eclesiásticas e quem sabe até alguns irmãozinhos com a faixa dos 150 anos da igrejinha na republiqueta de bananas brasil. Milhões de reais do dízimo dos fiéis aplicados em casas maravilhosas, coberturas fantásticas, barcos de luxo, e no império de mídia, não valem a vida de um oprimido e perseguido, tanto por esses supostos cristãos amalucados, quanto pelos nossos falsos, adequados e disciplinados companheiros de caminhada! Se essa organização criminosa se traveste de igreja supostamente adoradora do Senhor Jesus, a gente tem que ter os olhos bem abertos pra que nossa organização, dita humildemente religiosa, não se deleite na criminalidade que contraria o evangelho desse mesmo Senhor. 

        E vamos que vamos que o PT virou centrão. Só falta agora mesmo mudar a sigla pra PDS, ou PFL, ou DEM. Depois que abonaram a folha corrida do presidente do senado já tem gente exigindo ser julgado pelo conselho de ética da casa até pra anular multa de avanço de semáforo! E quando a gente fala que, ou a republiqueta de bananas brasil está melhorando de fato, como atestam todos os índices de leitura internacioais, ou a inclusão de mais 500 mil famílias naquele famoso programa assitencialista sem contrapartida do governo, já amarra o “cabresto” de mais alguns milhares de eleitores pra 2010, não podemos ser acusados de imbecis, ou ignorantes. Afinal a resposta dada por 500 mulheres, recrutadas dentre os benefiários do tal programa, treinadas e capacitadas por um convênio feito entre o Senai e o Sindicato da Indústria Têxtil do Ceará para entrarem no mercado formal de trabalho, é bastante sintomática e cabal: após o término do curso, com os cadastros de emprego distribuídos entre as empresas, nenhuma, isso mesmo, nenhuma Maria de Fátima, ou Monique, ou Mariângela, ou Estéfanie, que no Ceará também tem disso, sim, quis assinar a carteira de trabalho. Afinal, trabalhar pra que?

        E se a questão é trabalho nosso boletim vem chegando cheio de relatos de gente que rala bastante pelo Reino de Deus. Na capa, um relato interessante com Gandhi dando um autêntico sermão presbiteriano dividido em três pontos. Na reflexão, Meck falando da importância de se concentrar no essencial na caminhada cristã. O Caderno de Missões vem tão carregado que se fosse boletim do senado eu diria que tem matéria saindo pelo ladrão: Josenildo traz a segunda parte dos desafios missionários no sertão nordestino; Richard e Yohanna matam as saudades com as últimas de suas vidas nas terras do Tio Sam; Marcos traz mais um emocionante relato da amada Banda Sal da Terra; os presbíteros Hélio e Ximenes destacam mais um impactante Moriarte; e Amanda, nossa querida ‘Filha da Luz’, fala dos últimos dois meses na Avalanche. E finalmente as últimas da igrejinha.

       E pra não sairem por aí dizendo que não falei de futebol vou tascando logo de segunda divisão. A série B de 2010 vai custar pra pegar fogo: o América Mineiro renasceu das cinzas, com o eterno Givanildo, o ASA de Arapiraca e o ICASA, do Ceará, mesmo promovidos, provavelmente continuarão nas cinzas, e o Sportiminho, como diria meu amado pastor Lutero, já virou cinzas, despachado de véspera pra gloriosa segunda divisão do brasileirão. É isso aí, pessoal. Maranata! Vejo vocês no domingo, ou na glória! Fui!           

       Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 13h45
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13/08/2009


Crônica da Semana - Bol 1706 - 16.08.2009

      Não sou imbecil, nem ignorante. Mas fiquei chateado, há alguns dias, quando o meu molusco favorito, o que nos preside a republiqueta de bananas brasil, acusou-me de possuir justo essas duas qualidades juntas. Ele se referia aos críticos de seu imenso e interminavelmente inclusivo programa de combate à fome que não exige nenhuma contrapartida. Ora, ora, meu querido molusco, saiba que já fui fato imbecilizado uma vez numa entrevista de demissão, isso porque me deixaram completamente ignorante às urdiduras medonhas que me cercavam. Assim como nunca mais confiei em ninguém com mais de cem reais no bolso, também não posso acreditar que esse tremendo imbróglio inclusivo, a despeito de possuir grandes méritos reconhecidos mundialmente, não corra o risco de se transformar pra sua sucessora, a apressadinha ex-guerrilheira e atual grã-fina, com nosso dinheiro, numa herança tão maldita quanto a que recebeu o segundo João na prefeitura da Veneza Brasileira. Por aqui o segundo João ficou mais calado do que os ‘Joões’ entortados pelo endiabrado Garrincha. E sem poder nem pensar em reclamar! Reclamar de que? Pra quem?

      Mas divertido mesmo foi assistir a quase todos os patetas sul-americanos reunidos nesse projeto de entidade chamado UNASUL. Os caras se reúnem pra reclamar dos Estados Unidos, mas, em nome de interesses pessoais de seus países, sentem-se tão encorajados ao confronto quanto se sentem a desafiar o nojento bloqueio econômico imposto pelos ‘sobrinhos de Sam’ à ilhota parceira caribenha! Não se ouve, por exemplo, um único projeto conjunto de combate às drogas – responsáveis já por mais de 50% da violência urbana tupiniquim, ou mesmo de apoio geral e irrestrito ao mercado do continente como forma de incluir de fato uma massa trabalhadora e previdenciariamente desprotegida. Utopia achar que um bando de patetas sem projeto, artífices apenas desse jogo político sujo, de que meu molusco predileto orgulha-se em ser pós-graduado, pensasse como estadista, num mundo melhor, numa realidade mais justa, sem figurar seu nome como diretamente responsável, revelando o mesmo sentimento de qualquer vereadorzinho de segunda classe que doa uma ambulância na condição de seu nome vir estampado na porta.   

       E no final da agenda foi interessante ouvir meu dileto molusco defendendo a estabilidade e a manutenção dos mandatos dos senadores perseguidos pela verdade, apenas pelo fato dos mesmos cumprirem mandatos democraticamente conquistados. Fez-se um contraponto com ele mesmo, tempos atrás, descendo o cacete em suas famosas campanhas: “Xô, Sarney” e “Fora FHC”. Tomara que isso represente evolução. Ou seria mais uma urdidura do fundo dos mares? Mas perdoem meu amado molusco, pelo menos essa semana, porque ele foi gentilmente até a catedral presbiteriana do Rio de Janeiro apagar as 150 velinhas da IP do B. Mesmo considerando a brincadeira comparativa histórica com o caldo de siglas dos comunistas brasileiros, aqui na instituição dá no mesmo: a IPB, ou do B, carrega uma única insígnia, só um projeto, com o mesmo sofrimento, fases de depressão, grandes vitórias, mas sempre um único sentimento de que só a Graça de Deus, revelada em Jesus, diante de um coração quebrantado e compungido, salvará o homem de si mesmo! Afinal, meu amado molusco, eu quero te encontrar no céu também!

      A igrejinha segue seu mês de missões, reafirmando e despertando vocações. Questionar-se tem que ser a prática do missionário a fim de que não se perca numa caminhada que às vezes pode se mostrar infrutífera pro tipo de fruto que o evangelho de resultados adora contabilizar, esquecendo-se do Senhor da seara que deixou 99 ovelhas pra ir buscar uma que se havia perdido. Os motores da conferência missionária estão sendo aquecidos prenunciando o começo do fim do ano. Sim, porque o segundo semestre dá uma sensação de ser menor do que o primeiro. Aqui no nordeste deve ser a síndrome secular da colheita da cana de açúcar! Muito trabalho, gente demais, dinheiro circulando, consumo, ambiente propício pro homem se esquecer do Senhor da Vida. Deve ter sido por isso que os organizadores da conferência pensaram na integridade do homem, não só na forma de ser alcançado pelo evangelho, mas também na forma de vivenciá-lo.

        E nessa discussão do resultado missionário nosso boletim traz na capa uma interessante abordagem questionando o que é o sucesso e se há um caminho para o mesmo; na reflexão nosso sócio, Enos Filho, aparece falando de um Deus que não se sujeita às pressões que sofremos; e no clima missionário trazemos um caderno de missões bastante recheado: Marcelo e Claudinha nos emocionam com o relato dos últimos acontecimentos de suas vidas; nosso amado Josué nos atualizada da vida entre os ‘Quechuas’; Rossana dissipa as especulações a respeito do amado Ronaldo Lidório em mais um tempo de tratamento de sua preciosa saúde; Josenildo traz a primeira de três partes de uma matéria que visualizada a abordagem histórico-missionária sertaneja; e os amados Heber e Suzi falam um pouco do seu mês em Asas de Socorro, onde até eu tive o privilégio de ser abençoado por eles; depois vem a página das crianças, as últimas da igrejinha e um convite todo especial de ‘Pedrinho da Doxa’, centroavante do Campo Grande Futebol Clube, pra um fim de semana especial com Jorge Camargo e Marcelo Quintela.  

         Então ficamos por aqui. Mando um abraço especial pros tricolores Mauricinho e Renata, Guedes e Edla, Iraque e Silvéria, Adelson e Suzanna, pelo menos as mulheres não verão seus maridos chateados com futebol até janeiro de 2010. Como vocês podem ver: há males que vêm pro bem. Porque o debate sobre paixão futebolística se aprofundou a tal ponto que se especulou sobre o amor verdadeiro ser o do torcedor por seu clube. Mas Sílvio Romero, o principal ex-torcedor do náutico que eu conheço, encerrou a discussão: “Amor verdadeiro é o do cachorro. Para saber quem o ama de verdade, faça o seguinte teste: tranque o seu cão e a sua mulher na mala do carro; aguarde exatamente uma hora (uma hora mesmo, senão o teste não dá certo); abra a mala do carro e veja quem estará feliz por vê-lo novamente?” Existe isso aí, pessoal??? Maranata! Vejo vocês no domingo, ou na glória! Fui!           

       Adilton Andrade         

Escrito por Adilton Andrade às 12h50
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07/08/2009


Crônica da Semana - Bol 1705 - 09.08.2009

      Nenhum desafio à igreja da era moderna é mais incômodo do que descobrir a linha tênue entre o “não os tires do mundo” e o confrontador “mas os livres do mal”, da oração sacerdotal de Jesus. Nessa de não ser tirado do mundo houve um mergulho de mundanismo do vivente cristão, inculcado a partir do projeto de vida repassado aos filhos, transformado numa explosão adolescente multicultural e multifacetada do aqui e do agora, e amadurecido em uma geração adulta insegura, vergonhosamente negociadora com um Deus que julgam como afeito a barganhas, carregando nas mãos um caderno de apontamentos contábeis, gerador de créditos e débitos a cada olhada pra uma mulher sensual que teve que pular do segundo andar pra entrar nas calças, ou pro desejo incontido que a fez gastar 800 reais apenas pra desfilar com aquele par de sapatos por um fim de semana, ou pela angustiante renúncia aos prazeres da carne, tudo isso misturado a partir dessa compreensão nebulosa do Deus da graça que consegue ler a sinceridade do coração humano.

      Justo no mês dedicado a missões é triste saber que essa herança tem corrompido as vocações missionárias, transformando-as muitas vezes em projetos literários, incursões intelectuais, ou mesmo pra solidificar uma experiência de vida juvenil, como se cultura de povos a serem evangelizados, seja a tribo que puxa um baseado na Praia de Boa Viagem, ou os homossexuais do Bairro da Boa Vista, ou mesmo os índios ‘Macuxi’ de Roraima, seja algo a ser apreendido em dois anos de um passeio pelo mundo missionário. A isso preferem sonhar com a glória vazia de experiências missionárias superficiais, de resultado, melhor vendáveis pros patrocinadores, que sempre se sentem confortáveis como financiadores desses obstinados, e que, além de não entenderem o que move, ou deveria mover, o coração missionário, sonham em ver seus filhos desfilando em cima das 2000 cilindradas do momento, prontos pra repassarem a cultura aos seus netos.      

      Urge que acordemos dessa letargia mundana e que nos descubramos como cidadãos de um Reino incompreensivelmente de outro mundo, e que somemos nossos projetos àqueles que têm dedicado suas vidas, suas mentes e a construção de suas existências ao único objetivo eterno que existe. Nossa tradicional reflexão sobre missões do mês de agosto tem que ser amparada no firme propósito de, quando necessário, deixarmos os mortos enterrarem seus mortos e seguirmos o chamado do mestre!

      Enquanto isso o povo tupiniquim assistiu à maior demonstração de cara de pau e mau-caratismo de um membro da casa de mãe Joana Congresso Nacional nunca antes vista na história da repupliqueta. Antes de começar o discurso do chefe bandido com cara de avô bonzinho, o tio de um amigo meu, 94 anos, tipo de gente que amou e não deixou a pátria em 1968, que trocou de carro no milagre de 1972, depois comprou um carro a álcool em 1977, foi fiscal do escroque da hora em 1986, ficou sem poupança e não reclamou em 1990, acreditou nos projetos dos últimos 16 anos, e não perde um capítulo da TV Senado, foi ouvindo uma gritaria na TV – atualmente ele só ouve:

 

      - Ladrão, Traficante, Mentiroso, Pedófilo, Pária, Desavergonhado, Preguiçoso, Cangaceiro, Coronel, Vendido, Crápula (...).

 

     Bastante assustado, ele chamou seu sobrinho:

 

      - Querido, o que está acontecendo? Há problemas? Estão se pegando?

      - Não, tio, a mesa diretora está fazendo a chamada!

 

     É triste. Porém é em clima de dia dos pais que nosso boletim vai chegando com um depoimento emocionado de Caio Fábio sobre seu pai e que serve pra todos nós como estímulo à vida cristã. É do ano passado, adaptado para 2009. Na perspectiva do exercício da caminhada cristã, Claudinalle compartilha alguns tópicos sobre santificação. O caderno de missões traz novidades sobre o trabalho com índios no Ceará, e um artigo muito interessante sobre o cuidado pastoral que a igrejinha sempre pensou em desenvolver com os seus missionários. As crianças aparecem comemorando o dia dos pais, e os acontecimentos que nos levarão até a conferência missionária. Até o saudoso Walvir aparece com sua banda DraKma abraçando a toda igreja. Antes de nos irmos, porém, mando um abraço aos distantes e saudosos irmãos, especialmente Heber e Suzi, que tão amorosamente me hospedaram na casa de Asas de Socorro em Boa Vista-RR.

     Bem pessoal, antes de nos despedirmos deixo-vos duas constatações miseravelmente capitalistas de como a turma aloprada do poder continua dando as caras, aliás, de como continua gastando nosso dinheiro com um luxo indizivelmente supérfluo. Primeiro foi uma famosa garrafinha de Romanée Conti de oito mil reais que meu presidente bebeu pra comemorar sua eleição. Logo ele que se satisfaria com uma garrafa de pinga de vinte e cinco reais da barraca da esquina. Agora foi o flagrante da bolsinha Kelly de catorze mil reais da ex-guerrilheira, atualmente mãe do PAC, Plano de Achatamento Cerebral. Logo ela que pegou em armas na suposta luta por justiça social. Assim fica fácil defender ideais. Mas o que pegou mesmo nesses dias foi uma decisão da cúpula do antigo partido da gente trabalhadora depois de assistirem à fantástica recuperação do piloto Felipe Massa: ele já está enxergando perfeitamente com os dois olhos, conseguindo ver tudo que se passa ao redor, e ainda está respondendo em três idiomas o que lhe perguntam. Os que ainda não alopraram, ou não foram descobertos, já pensam seriamente em atirar uma mola na cabeça do meu querido molusco que nos preside a republiqueta de bananas brasil!

       É isso aí, pessoal! Maranata! Vejo vocês no domingo, ou na glória! Fui!            

       Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 00h40
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