Tenho Dito


27/01/2012


Crônica da Semana - Bol 1833 - 29.01.212

         Se alguém lhe oferecer um apartamento baratinho no centro do Rio de Janeiro, não compre. Mas cuidado, porque você pode estar sendo vítima de algum fatal engodo oficial em qualquer lugar da republiqueta de bananas Brasil! Por acaso você se surpreende quando tragédias assim acontecem? Veja alguns exemplos efetivos de como agem e funcionam instâncias e fiscalizações da parte dos órgãos públicos tupiniquins: um engenheiro de obras em Manaus-AM faz uma carreira obscura porque se recusou a assinar obras mentirosas no que prometiam, todas elas propostas pela secretaria de obras e apoiadas integralmente pelo governo estadual; em São Luis-MA uma empresa que participava inocentemente de licitação pra reforma de órgãos públicos foi convidada, sob ameaça de devassa fiscal, a sair da concorrência, cedendo seu lugar a outra empreiteira, preferida pelos apadrinhados do poder maranhense; em 1995, um dos diretores do CREA – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, de Recife-PE, assustou seus ouvintes ao dizer que, se houvesse uma fiscalização rigorosa naquele momento, 50% dos edifícios do centro da Veneza Brasileira seriam interditados temporária ou definitivamente! Todos esses casos foram testemunhados por mim!

        Olhando tantos desencontros sociais da nação tupiniquim como fugir de antigas questões. Quando vamos endireitar nossa caminhada? Quando deixaremos de correr riscos e respeitaremos as regras mais básicas de segurança? Abandonaremos no futuro as falsas intuições ou supostas vozes do além, ou de seqüências e coincidências quase esotéricas, ou optaremos por continuar sendo o país do jeitinho, do apadrinhamento, do “aos inimigos, a lei”, garantindo as “batatas machadianas” a vencedores energúmenos, dilapidadores do patrimônio público, usurpadores legalmente oficializados de um estado patrimonialista e fiscalmente opressor que devolve péssimos serviços a seus espoliados cidadãos de segunda classe, todos sobrevivendo na escravidão da consolidação das leis do trabalho? A educação poderia nos redimir? Mas a que custo? Atravessamos décadas destruindo todo o sistema de construção da cidadania, numa tentativa cretina de perpetuar a fábrica de autômatos que a ignorância produz. Remuneramos professores com uma miséria desestimulante pra ouvir pérolas emporcalhadas como a que nos legou o pobre governador do Rio Grande do Sul: "Quem quiser dar aula faça isso por gosto, e não pelo salário. Se quiser ganhar melhor, peça demissão e vá para o ensino privado." Bem que o sacripanta governador poderia abrir mão de seu salário e governar por amor e a Casa de Mãe Joana Congresso Nacional poderia adotar esse modelo sentimentalista no contracheque por seu parco trabalho!

       Apesar de tudo é sentimento de ampla maioria que a presidente ‘Minha Casa, Minha Dilma’ é uma grande presidente, infinitamente melhor do que seu antecessor, aparentando sempre uma decência revelada em gestos de alguém com moral elevada, e que, a despeito da herança maldita recebida, incluindo vários malditos assessores empurrados garganta abaixo, tem a precisão, a concisão e o discreto bom senso necessários à condução gerencialmente segura de uma nação afundada em corrupções de todos os naipes. O desejo é de que ela seja pelo menos sincera. Mas por falar no nosso dileto molusco deficiente, ex-presidente que andou sumido, ele reapareceu e provocou o maior chororô. Imagine quando morrer? Vai bater o sepultamento dos ‘Mamonas Assassinas’. Mas vai perder pro de Ayrton Senna porque, afinal, a ‘pole position’ é dele! Se D. Lindú virou aquela concretude toda, imagine o parque Luiz Inácio? Vai virar a Brasília do século XXI. E é bom morrer logo porque o arquiteto governamental já está muito mais pra lá do que pra cá!

         Mas a falta de senso alcançou patamares nunca antes vistos na história dessa republiqueta com o destaque à ausência de certa Luíza, burguesinha que ficou famosa porque seu pai enfiou sua fotografia numa campanha publicitária paraibana de venda de imóveis. Ela tinha ido ao Canadá porque vivia no topo da pirâmide e foi aprender em seis meses o que os estudantes têm certeza que vão aprender em dez anos de curso de inglês na republiqueta. A importância social de sua figura é equivalente à oração do fariseu, ou à oferta dos Ricos à frente da pobre viúva, ou seja, nenhuma, apenas vivendo como instrumento aparente de opressão até que a história revele que o publicano tinha o coração quebrantado, e que a viúva doou o seu sustento. Seria o equivalente sociológico a destacar que a empregada doméstica de minha, quase centenária, avó teria voltado de sua obscura cidade interiorana pra lha confortar a alma. ‘Severina voltou de Itaquitinga!’     

         Quem nem foi, nem voltou, é nosso boletim, que traz no PréMeditando um apelo a que os cristãos creiam de fato; no Meditando, uma exortação a redescobrimos a simplicidade do evangelho; e ainda as notícias da igrejinha, incluindo novamente a página extra que saiu eletronicamente semana passada, mas que a gráfica esqueceu na versão impressa, e a foto de Anna de Louise e Junior, que daqui a dois anos vai pra classe de pré-adolescentes se continuar crescendo assim. Antes de nos irmos envio um caloroso abraço a tantos distantes e saudosos irmãos: nosso missionário entre os Quéchuas - Peru, Josué Yupanki; Flávio, Verônica e Flavinho, já vivendo na nova cidade, na Índia, mas em meio praticamente ao mesmo povo do antigo país. Enviamos também pra curtição de todos a 23ª Edição de InfoGraças! Deus nos abençoe!

           É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 00h48
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20/01/2012


Crônica da Semana - Bol 1832 - 22.01.2012

       E a faxina ministerial, hein? O que era esperança de limitar a ladroagem no governo ‘Minha Casa, Minha Dilma’, acabou se transformando, quando muito, em uma reforma amarelada feita apenas para preservar apaniguados futuros candidatos a prefeito em infelizes cidades da republiqueta de bananas Brasil. E na trilha de escândalos e roubalheiras que marcam a Casa de Mãe Joana Congresso Nacional surgem momentos que seriam trágicos se não fossem cômicos: em pleno recesso, quando a burguesia sai da Bastilha pra gastar nossos impostos nas férias escolares de verão, o Senado foi invadido novamente por ratos, só que dessa vez de esgoto, e a Câmara dos nobilíssimos deputados foi assaltada. Certamente os carteiros de Brasília correram com dezenas de telegramas no melhor pior estilo: “Não tenho nada a ver com isso”, vindos dos diversos recantos da pérfida nação tupiniquim. Se fizessem uma pegadinha dizendo que o parlamentar assaltante tinha uma folhinha na cabeça, teria mais deputado alisando o cabelo do que irmãs ajeitando compulsivamente as madeixas sempre que o pastor da IP Graças pergunta se alguém foi omitido na distribuição de um dos elementos da Santa Ceia.

        E os campeonatos estaduais de futebol começaram. Uma chance dada às federações de futebol de buscarem o empate no jogo da corrupção de seus juízes contra os juízes do poder judiciário. Bons tempos quando juiz ladrão roubava apenas faltas, impedimentos ou pênaltis. Quem usa farda, uniforme, ou toga, tem que honrar o compromisso assumido com Deus, com o próximo, com a instituição. Até mesmo pra se sentir eclesiasticamente vestido, pra usar o termo do meu querido Dr. Hilton Vitalino, há que se buscar honrar o compromisso com Deus, sendo que desse último uniforme eu não gosto nada! É que quando esse cerimonial vira apenas figuração externa esvai-se o honrar a Deus, o próximo é oprimido e a instituição se destrói. Mas deixo esse negócio de cerimonial pra quem entende, não é mesmo, amado professor Marcílio Reinaux?

       Ainda falando de futebol, a torcida do Náutico ficou frustrada porque o presidente que possui a pior melhor cara de barraqueiro bêbado do mercado público de Casa Amarela, o bastardo que não acredita no Holocausto, que quer destruir Israel, e que brinca de energia nuclear, mas com fins pacíficos, e quem desacreditar que atire a primeira pedra, (Calma, gente! Um de cada vez!), esse garganta presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, proibiu a venda e mandou recolher todas as bonecas ‘Barbie’ do país! Existe isso? Mas falando de paixão de torcedor, que é negócio sério, o campeonato pernambucano de 2012 começou: o Sport, sem ataque como sempre, o Santa, voltando aos tempos da mediocridade, e o Náutico, como nunca, apesar de não ganhar nada já se vai uma década. E os juízes, bem, quanto aos juízes pelo menos os dessa instituição suam mais a camisa. Literalmente!

       Desembarcando nas ruas sujas da Veneza Brasileira é engraçado assistir às articulações em prol da campanha para prefeito desse ano. Ficam todos se fingindo de morto, mas correndo mais do que atleta olímpico na reta final pra Londres 2012. É uma relação de falsidade com amigo atirando em amigo. Ou será ex-amigo atirando em atual inimigo? Sim, porque depois que o partido que propunha o céu ético na minha juventude se transformou em camaleão, abraçando-se com gente do naipe de Sarney, e se vendendo aos banqueiros internacionais que condenavam energicamente, tudo é possível, até mesmo esse péssimo prefeito da hora se reeleger. Que pelo menos inaugure a praça que está sendo construída há meses em frente ao meu prédio! Se D. Lindu tivesse vindo do sertão de barco, aportado nos manguezais recifenses pelas belas páginas de João Cabral de Melo Neto, a gente até poderia ter um parque D. Lindu II pros infelizes moradores do Bairro de Santana, mas eis que o pagamento do arquiteto, que projetou esse parque meia boca em frente ao meu prédio, não seria mais um mísero carrinho de mão de dinheiro. Em compensação, teríamos teatro, parquinho, ambulantes, ‘cracolândia’, mais trânsito, quer dizer, pensando bem, há situações em que a mediocridade nos redime! Então, viva a praça medíocre que estão construindo!

      A IP Graças chorou pra valer domingo passado com as despedidas de Iraque e Luciano. Amados pastores com quem dividimos tantos anos de caminhada. Mano volta no natal, se Deus quiser. Iraque, somente quando Deus quiser. Aí as saudades ficam maiores, mais doloridas! Quantos anos, quantos projetos, quantos sentimentos. Amamos os dois, e suas famílias também. Mas a caminhada do ano mal começou, com muita gente de férias, ou acordando das férias ainda! Pra alguns o ano só vai começar após o carnaval, mas como a gente não é congressista a ralação começou no dia 02 mesmo! Mas quem tem ralado incansavelmente, que nem no hino dos que esperam no Senhor, é nosso boletim. Nesse número trazemos, no PréMeditando, uma exortação contra a murmuração – câncer que aflige o povo de Deus; no Meditando, um depoimento emocionado de nossa queria ‘Mira’ sobre o bom e velho sogro Jessisai, mais conhecido como ‘Zai’; e ainda uma revirada no dia a dia da IP Graças, com destaque pro envio dos amados pastores e pro ‘vôo’ de Mano. O aeroporto só ficou mais vazio do que quando houve a invasão da torcida do Sport ano passado. E pra fechar o caixão de notícias, um worshop com o pastor Jorge Noda, que no seminário virava uma piadinha infame misturada com banda de forró: ‘Jorge Nódoa de Cajú’. Ele até abria o olho pra ouvir melhor!

      Enquanto vamos assistindo à bagaceira que virou a programação da rede de televisão que mais nos faz de otários na republiqueta, quando às cinco da tarde um grupo de adolescente está se armando pra apoiar a amiga a fazer um aborto de uma gravidez sem maturidade de espécie alguma; às seis da noite os triângulos amorosos cheios de adultérios e traições invadem o jantar das crianças, e a prostituição rola no centro com as atrizes confundindo fantasia e realidade na divisão do mesmo homem; às sete da noite, em um cardápio recheado de perfídia e mentiras o que era belezinha vai virando uma feiurinha; às nove da noite, misturam-se homossexualismo, esoterismo, adultérios os mais variados possíveis em relacionamentos lascivos e interesseiros; e pra completar abriu-se a décima segunda temporada de prostituição anual de verão, com uma relação que pode ter sido estupro, mas que ninguém sabe se houve de fato, e nós vamos tendo certeza de que se alguém saiu estuprado desse quadro todo certamente terá sido nossa mente, nós vamos é ficando por aqui.  

       É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 15h43
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13/01/2012


Crônica da Semana - Bol 1831 - 15.01.2012

       Outro dia um prestador de serviços meu amigo me ligou à noite, assustado, dizendo que acabara de testemunhar um violento bate-boca dentro da minha igreja. Fiquei logo assustado e me enchi de argumentos apologéticos pra falar que a igreja é feita de gente falha, cheia de fariseus e aqueles negócios que crente adora dizer pra colocar panos mornos quando precisa redimir a instituição. Lá no fundo fiquei desenhando os participantes, mas nunca chegava a uma conclusão. Quem seriam os debatedores? Líderes? E afinal o que estava acontecendo na igrejinha naquela fatídica noite? Pensei logo que igreja protestante é assim mesmo, um lugar propício ao desenvolvimento de índios que se acham caciques. Será que foi herança deturpada do sacerdócio universal, bandeira da reforma luterana?

       Caciques eclesiásticos gostam do poder. Alimentam-se dele. Esquecem-se até da regra mais básica do cristão e consideram qualquer índio inferior a si mesmo, e saem, geralmente, bufando superioridade em qualquer briga. E se a briga for por motivos importantes como: onde se colocar uma fechadura, quantos centímetros podemos deslocar o púlpito, ou se devemos ou não bater palmas na liturgia, quando o povo já está dançando desde o Salmo 150 a.C., aí a discussão vira negócio pra concílios tão superiores que exalam arbitrariedades medievais.

       O que gente assim deve se perguntar todos os dias quando se olha no espelho é que raios de sentimentos afloraram na cabeça de João Batista que fizeram dele o maior homem que já existiu, além de Jesus? O homem não só era preparado pra reconhecer o messias na primeira hora, como encerrou sua caminhada bem sucedida muito feliz e precocemente porque não tinha mais o que fazer além de seguir o mestre. E não estava nem aí pra perda aparente de seus discípulos para o projeto de Deus. Aliás, ele estava humildemente pronto pra se sujeitar a esse projeto.

        Mas a mistura pode ser pior. Se o cacique for fariseu, um binômio pra lá de destrutivo, ainda que travestido de príncipe dos sacerdotes, ou de ancião do povo, além do despertar assombrado com a imagem de João Batista no espelho, ele geralmente vai se deitar com as meretrizes na cabeça. Como? Existe isso? Já vou explicando. Caciques fariseus devem ter insônia toda noite, decepcionados da vida pensando nos publicanos e nas meretrizes lhos precedendo na entrada no Reino de Deus. A perturbação é tanta que nem percebem mais que Jesus continua à porta batendo e esperando arrependimento sincero. A despeito da falta de arrependimento, eles oprimem quem disse que não ia, e ainda perdem a capacidade de enxergar mais fundo pra descobrirem que de fato a pessoa foi; e vivem dizendo e bajulando quem diz que vai, não vai, e que ainda sai curtindo, como na ridícula velha piada do futebol, como se tivesse ido!

       Se publicanos e meretrizes desse tipo ocupassem alguns órgãos arrecadadores atuais quem sabe a temporada de IPTU’s e IPVA’s não carregasse o peso de um Robin Hood às avessas, que há anos vem roubando dos pobres cidadãos da republiqueta de Bananas Brasil pra empanturrar os bolsos sujos de uma elite política doentia, viciada e traidora. Mas como os cobradores são piores do que o lixo musical que dominou a cena mundial, uma espécie medíocre de ‘Garota de Ipanema’, ai, ai, eles nos pegam e nos matam pouco a pouco anualmente!

        Quem escapou dessa nojeira musical foi nosso boletim, que vem chegando com um PréMeditando pra lembrar dos nosso amados Iraque e Mano que vão pra onde Deus está mandando, e voltarão quando Ele quiser; no Meditando, uma breve reflexão sobre líderes, estilos de liderança, e programações pro ano novo; e um monte de novidades da igrejinha, destacando o momento amoroso de Lutero homenageando Glauco, e que emocionou a muitos! Antes de nos irmos envio um abraço caloroso a tantos saudosos e distantes irmãos: meu querido Pastor Pedrinho, que há tempos não vejo; Mauro Maibrada, com quem nunca mais tive o prazer de tomar uma ‘Nega Maluca’; e meu amado Ximenes, em sua temporada de verão que sempre baixa minha taxa de ‘cafeína’ a níveis indesejáveis.

      Enquanto a gente finge que vai acreditando nas explicações do nosso ministro da integração nacional sobre os investimentos exclusivos pernambucanos e sobre sua penca nepotista, ele, que só não vai cair porque vive à sombra do governador do estadinho que mais cresce na republiqueta atualmente - atingindo aquele estágio de quem pode fazer tudo, inclusive nada, depois que descobriu o segredo que seu avô possuía de não falar, nem fazer, nada e viver apenas renovando o desodorante pra deixar o bracinho levantado por décadas, quem sabe não será inquilino do Campo das Princesas no futuro próximo, nós vamos é ficando por aqui. A propósito, o que acontecia na fatídica noite do primeiro parágrafo era apenas a igrejinha sediando uma daquelas reuniões administrativas conciliares presbiterianas.

       É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 02h07
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06/01/2012


Crônica da Semana - Bol 1830 - 08.01.2012

         Ao lado do meu prédio tem um edifício com um heliporto. Posso estar enganado, afinal, passo quase a metade do ano fora de casa, viajando a trabalho, mas desde 2006, quando me mudei pra cá, até hoje, não me lembro de ter visto algum helicóptero pousando nas teias de aranha do heliporto do prédio vizinho. Eis que outro dia estava na cobertura do meu prédio quando chegaram duas senhoras conversando. A moradora apresentava a bela paisagem à sua amiga quando a convidada se admirou: “Nossa, um heliporto! Pousam muitos helicópteros ali?” E antes que eu fizesse aquele muxoxo de decepção – afinal, gosto de helicópteros, a vizinha foi logo atalhando: “Demais, querida. Vive pousando, e quando pousam fazem um barulho horrível!” A mentirosa ainda me olhou meio de soslaio – como nos romances de Machado de Assis.

       De mentira eu entendo, afinal fui mentiroso durante vários anos da vida, e viajava da mentira mais deslava até a mentira mais escabrosa, sendo que era especialista naquele tipo de mentira debochada, aquele quando a gente mente descaradamente pra pessoa que mais ama, e o pior, que nos ama também. A mentira era como uma fuga da realidade, uma compulsão inexplicável, chamada pecado mesmo, mas que visava revestir a história de uma capa que atraía, ou distraía, ou neutralizava o ouvinte, de acordo com as circunstâncias e com objetivo final que se queria alcançar. Um dia bati a cara contra um muro chamado cruz de Cristo e tudo mudou. Mas isso já seriam tergiversações pra outra crônica.

        Estamos diante de um novo ano. E justo agora que a gente nem bem descobriu que o “vinde, adoremos” de quinze adias atrás já se transformou no “venham me adorar” do dia a dia, e que os votos surrados de ano novo já se perderam na sarjeta putrefata da esquina, pra ser assim, digamos, delicado, eis que surgem em nossa mente as grandes interrogações, próprias dos inícios de caminhada: que verdades nós enfrentaremos ao longo desse ano? Que mentiras nos contarão e fingiremos que é verdade? Que mentiras nós assumiremos como verdades? Que verdades omitiremos na mais pueril escorregada mentirosa? Como mentiremos para o ano e como o ano mentirá pra gente e quão verdadeiros seremos?

        Jesus nos fala de um encontro inusitado quando dois homens foram orar no templo: um fariseu, autoridade respeitada em seus círculos, que batia no peito e desfiava um corolário de verdades pra Deus e o mundo ouvirem. Tudo mentira. E lá no fundo um publicano, marcado pela própria vida, estigmatizado pelo seu procedimento, que se quebrava baixinho diante de Deus, falando a verdade porque, junto com o arrependimento, ele tinha chegado àquela hora crucial quando as mentiras não conseguem mais enfeitar a vida, nem disfarçar a podridão. Jesus teve o cuidado de dizer que esse publicano voltou pra casa justificado.

        A gente tem mania de olhar pro nosso país e buscar justificativas pra tantas calamidades. Nem falo da famosa zona de convergência do atlântico, que pelo visto está deixando cair seu raio no mesmo lugar, até com certo aumento de intensidade – de repente concluíram que milhares de pessoas que moram nas encostas das montanhas mineiras vivem em áreas de risco, mas também esqueceram que a mata sul de Pernambuco quase se afogou há menos de 18 meses, e também nem quero falar desse bebê traquinas, chamada ‘La Niña’, que secou mananciais nos pampas. Mas não tem como não nos indignarmos com a falta de capacidade de nossas lideranças, que se gabam de ter um PIB maior do que o da Inglaterra, mas permitem esse modelo desgraçado de educação básica, que manterá as amarras e grilhões de nosso povo por mais uma geração, e que não percebem que, mais de sessenta anos depois da era Vargas, quando a grande modernidade era promover uma política de substituição de importações, nossa pauta de exportações continua severamente dependente de “commodities”. Enquanto nosso horizonte de planejamento continuar sendo o da mediocridade de um mandato, ou de um partido, continuaremos na mentira. Pelo visto muitas crônicas semanais ainda passarão por baixo dessa ponte da fantasia tupiniquim!

        Mas deveríamos ter a mania de olhar mais para a própria vida. Parar em fila dupla, estacionar em cima de calçada, dirigir na contramão, sujar as ruas, invadir faixas, cuspir pela janela, sonegar o imposto, oprimir o trabalhador, informar com leviandade, trair o eleitor, roubar o patrimônio público e o privado, enganar o patrão, e enganar até quando não se tem patrão, oprimir as relações, trair a esposa, e ainda por cima fazer pouco caso das leis, achando-se a cima do bem e do mal, mesmo que um raio de constituição, que nem sempre espelha a justiça, garanta que tem que ser assim, e todas essas ações juntas são apenas sintomas de uma corrupção básica, que vem lá de dentro e que contamina nossa vida!

       O início do mundo calvinista teve muitas falhas, como várias outras concepções de mundo, principalmente por conta da matéria prima, que era a mesma, mas a consciência do chamado cristão pra sermos sal e luz no meio dessas trevas em estado de putrefação, não só ajudou a retardar a desconstrução social vigente, como produziu uma sociedade que conseguiu lançar um facho de luz para muito além do seu século, do seu tempo. Depois veio a confusão da justiça própria misturada com legalismo, que derivou para caminhos falaciosos como o da sorrateira proposta da auto justificação neopentecostal. Mas o desafio cristão de ser sal e luz permanece porque é parte do portfólio de ações esperadas de quem tomou sua própria cruz e seguiu o mestre! Longe de se auto justificar, esse tipo de ação traz implícito um negar-se a si mesmo, e um quebrantamento que jamais será ignorado pelo Senhor Jesus, e que alegrou o caminho de volta pra casa do publicano. Vamos fazer nossa parte. A republiqueta de bananas Brasil agradece!

        Tentando fazer a parte dele quem vem chegando é nosso boletim. No PréMeditando, um desafio a comprovar que andamos por fé, como diria Habacuque; no Meditando, Ronaldo Lidório traduzindo simplesmente quem é o evangelho; e as últimas da igrejinha, com a relação de quem chegou e quem está chegando pra compor o time das Graças em 2012. Antes de nos irmos envio um abraço saudoso a Josué, nosso querido pastor missionário entre o povo Quéchua, no Peru; e a nosso querido pastor Galdino, plantando uma igreja em João Alfredo, sempre apoiado pelos irmãos das Graças. Deus abençoe os queridos.

          Enquanto a gente vai acompanhando as estatísticas sobre a violência no estadinho que mais cresce na republiqueta, e vendo como o Corpo de Bombeiros está sendo reequipado, certamente não é com aquela famigerada taxa que nos surrupiam anualmente, a gente vai ficando pelo menos tranqüilo quanto à certeza de que, se escaparmos da violência das ruas, teremos uma probabilidade maior de sermos resgatados em eventuais incêndios e em indesejados afogamentos!

       É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 09h31
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31/12/2011


Crônica da Semana - Bol 1829 - 01.01.2012

       A julgar pelo comportamento de tantas autarquias, espalhadas pela face da terra, e que nos dirigem a caminhada, pode-se dizer que o mundo aparentemente acabou. Tem gente que vive na certeza disso. Vejam o caso do povo Maia: revelou seu grau de insanidade marcando dia e hora pro fim do mundo. Mas para os quatro poderes que governam a republiqueta de bananas Brasil os Maias só foram bobinhos inocentes. Porque se tivessem pensado melhor teriam se candidato a algum cargo no poder legislativo, ou teriam estudado a ciência do direito e iniciado uma carreira escalonada no exercício do poder público, o que acabaria derivando pra virarem de fato, ou autarquias judiciárias, ou imprescindíveis eminências pardas que controlam a caneta orçamentária do executivo.

      Os quatro poderes que nos governam a republiqueta vivem nababescamente a farra de um mundo que já chegou ao seu fim: o executivo surfa na onda do momento, sem saber direito quando e se vai quebrar, e pra isso criou um colchão fiscal estratosférico, e cobra a melhor e mais confortável taxa de juros da galáxia. Quem vive assim pode se enganar feliz com a farsa da inflação baixa, ou controlada! O judiciário e o legislativo vivem como se nem existíssemos, legislando o tempo inteiro em causa própria, sendo que, no apagar das luzes desse aninho, auto concederam-se aumentos absurdos até mesmo em, com o perdão do trocadilho infame, ‘casa-própria’.  E quanto ao quarto poder, bem, para o diabo o mundo já se acabou na Cruz de Cristo, e o que resta agora é destilar mel na boca de quantos ainda conseguir amealhar, iludidos que só descobrirão que o mel é fel quando o bombom já tiver manchado a língua toda!

      Esse ataque anual de pseudociência, com as ridículas previsões dos gurus e astrólogos, que nos empurram goela abaixo, na televisão aberta, só pode ser arquitetado pelo quarto poder. Só me sinto mais otário do que nesse momento quando contribuo compulsoriamente para a previdência social tupiniquim. Fez 24 anos que contribuo como trabalhador de segunda classe – aliás, pra ter o mesmo direito que garanto a muitos dos meus amigos, aposentar-se com a plenitude do ganho, tenho que contribuir duas vezes – uma vez pra essa miséria que me aguarda como trabalhador que fez as piores escolhas e não estudou pra qualquer concurso público de porteiro da Casa de Mãe Joana Congresso Nacional, e outra vez pra alguma entidade privada que me complemente a renda quando chegar à idade em que não terei mais renda nem pra pagar um plano de saúde. O negócio é pagar, ou torcer pra que a rotina de correr e fazer exercícios diários me dê alguma sobrevida. Enquanto essa ‘Bastilha’ não cair, o jeito é gritar que nem tudo que é legal é justo.

       Injustiça por injustiça uma plêiade de injustos vai se espalhando pelo mundo: a Europa, espoliada por especuladores e usurpadores de todas as cores, caminha rumo à extrema direita novamente; a América Latina caminhou rumo à esquerda e agora está virando refém de caudilhos que controlam o aparelho estatal e oprimem o cidadão, e todos eles juntos devem morrer de inveja da família de bastardos que comanda a pobre Coréia do Norte – aonde a abolição da escravatura ainda não chegou, mas a nobreza que controla a fazenda estuda na Suíça e vai assistir a shows de lixo musical pop no Japão. Nem se juntássemos dezenas de Zonas de Convergências do Atlântico, a melhor e mais imprevista explicação pras catástrofes de verão, que virou socorro de todo vidente do lixo televisivo matinal tupiniquim, produziríamos o vale de lágrimas que as viúvas emparedadas choraram pelo finado norte-coreano. Os cancerosos líderes latino-americanos, que na pobre mente do líder venezuelano virou especulação sobre arma secreta pra destruir o projeto em andamento, militam contra a liberdade de imprensa porque o melhor projeto de construção de castelos alienantes que protegem infelizes no poder é a desinformação que inviabiliza qualquer nível de comparação.

      E quando chegar a hora da virada é impossível não voltarmos a antigos clichês. Até clichês bíblicos, como pedir a Deus pra aprender a contar os dias. É quando descobrimos que perdemos ou remimos o tempo, e olhamos inexplicavelmente somente para frente, desejando a realização de um monte de desejos que nem mesmo um existencialista inveterado ousaria pensar, e até quem nunca escreve nem bilhete sai por aí se queixando de ter virado escritor pra ofertar sentimentos que serão esquecidos ali pelo dia três de janeiro! Como cantava meu estimado Walvir falando do ano que acabara de se findar: “... e não mais voltará pra quem queira.” Pra depois falar de tudo que passou: “... tudo passa de qualquer maneira.” Mas nos resta “... a esperança de que um novo dia virá.” E o grande Dia do Filho do Homem virá inesperadamente como um ladrão. A questão é que ladroagem é tão comum aqui na republiqueta de bananas Brasil que até essa comparação perde um pouco o impacto. Mas falemos que a segunda vinda será vista por todos, informação instantânea e ao vivo, “... como um relâmpago, que sai no oriente e se mostra no ocidente!” Assim fica mais impactante! É verdade, o mundo vai se acabar, mais dia, menos dia. E a gente vai continuar aqui, na expectativa e na torcida! Feliz 2012!   

      Aí vão dois boletins. O primeiro é o da virada! Do tradicional culto de vigília que marca a chegada do ano novo! Guardei um final de ano pra homenagear meu sócio aqui no boletim: tenho um amor muito grande pelos Enos, Pai e Filho, e o filho, em especial, que tem sido um grande parceiro nas reflexões. Fechamos com um Meditando baseado em mais um texto de John Stott - que foi tão marcante no mês de Dezembro, além das últimas da Igrejinha. O segundo é o primeiro boletim de 2012, já com a IP Graças comemorando seu ano 38, trazendo no PréMeditando um pequeno conto, e um breve comentário com dois erros de digitação. Existe isso? E no ano que vamos trabalhar Discipulado na igrejinha nada como abrir com um Meditando do nosso querido pastor Miguel Cox sobre falsos profetas. Vamos caminhar sempre cuidadosamente. E fechamos com uma homenagem ao nosso Coro Graças, que brilhou no natal!

       Pra encerrar o ano uma fresquinha do futebol pernambucano. Enquanto vou me preparando pra ressaca do ano novo, descobri, em meio ao festival de imbecilidades astrológicas, uma verdade inaceitável: sou cobra no horóscopo chinês. Sabem o que isso significa? Nada! O fato é que deve ter alguma artimanha tricolor nessa palhaçada, porque além de me chamarem de cobra, descobri que não há leão nessa grade curricular! Mas pelo menos alguém explicou finalmente porque os produtos chineses exportados pra republiqueta de bananas Brasil são todos de classe C.     

       É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 11h48
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22/12/2011


Crônica da Semana - Bol 1828 - 25.12.2011

        Uma das piores seduções que enredam o homem é o convite a sentar-se no trono, no centro de sua vida, no alto de sua mente, e sentir-se forte, poderoso e inabalável. Isso perpassa a mente do popular que vive entre os milhões de miseráveis, que ‘Minha Casa, Minha Dilma’, nossa presidente – quem se lembra mais da polêmica do início do ano sobre se o final era com ‘a’, ou com ‘e’, diz que lhos vai resgatar, aqui na Veneza Brasileira, por exemplo, equivalem a um quinto da população, e invade e devassa também a mente do empresário que mora na cobertura, paga seus impostos, e trata com justiça seu subordinado, ou não, como diria Caetano Veloso, fazendo exatamente o contrário da lista. Vivemos muitas vezes, assim mal dizendo, pra usar uma figura nebulosa da época, como um autêntico ‘Rei Herodes’.

       Enfatuados e enfastiados, detestamos sermos contrariados em nosso pequeno reinado sobre nós mesmos! Temos projetos, alguns secretos. Fechamo-nos em nossos mundos, escondemos investimentos, renda, driblamos fiscalizações, temos um amigo na secretaria de governo, outro no DETRAN, e inventamos sentimentos, dissimulamos comportamentos, vivendo numa fuga permanente. Fugimos do amigo inoportuno, até do oportuno, que rei que se preza não precisa de iguais, deseja subordinados. E eis que de repente nosso mundo é subvertido, como no caso do perdido Rei Herodes da história, quando surgiram figuras esquálidas na sua frente, magos, que a tradição histórica nos afirma, que tradições sempre têm certeza, mesmo quando só há indícios, de que eram três, e até lhes deram nomes e raças e cores, perguntando: “onde está o menino, viemos adorar o que é nascido Rei?”.

       A pergunta abalou definitivamente aquele projeto de reinado, aquela figura insegura e sem valor que reinava de ocasião. A tradição fala de um final caótico para o boneco, figurante de rei, que era Herodes. Mas a pergunta vai nos perturbar pelo resto de nossos dias também. Ainda que você se declare ateu, firmado em convicções filosóficas, você sabe que vai morrer, mais dia, menos dia, ou de morte morrida, ou de morte matada, principalmente por viver nesse país violento, mas cheio de firulas judiciais, em que vivemos. E lá do fundo as figuras esquálidas virão lhe tirar a paz e a tranqüilidade, abalando seu sono de imperador, mesmo que seu reinado seja uma farsa. Quando menos esperarmos voltará lá do horizonte nebuloso de nossa mente a pergunta: “Onde está o menino?”.     

       Localizado o menino, como diz uma música lá do tempo em que em Dezembro as pessoas liam os evangelhos pra ser recordarem do natal original, e nas igrejas só se cantavam hinos que passavam o ano com as páginas coladas de tão pouco abertas, cheios de ‘glória a Deus nas alturas’, e ‘proclamações angelicais’ – uma velha música de Jairo Trench Gonçalves, aquele Jairinho que foi pro céu na minha adolescência, e de Paulo César da Silva, esse vivinho e cantando por aí, do saudoso Grupo Elo: “... o mundo não sabe, ou mesmo que saiba, esquece daquele que foi prometido.” É melhor esquecer o que nos importuna, enterrar o que nos questiona a vida, o que nos desafia, principalmente quando a escolha do menino é tornar louca a sabedoria desse mundo, usando o que não é pra confundir o que é; anulando sábios e valorizando o negar-se a si mesmo, tomando sua própria cruz, morrendo para o mundo.

       Ninguém nasce pra morrer, se bem que todos morrerão. Mas aquele que veio para os seus, mas o seus não o receberam, rejeição antecipada na mudança de foco revelada no “mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, os que crêem no seu nome”, esse nasceu pra morrer. Nasceu sabendo exatamente quando chegaria sua hora, qual era seu objetivo, e que nada o impediria de cumprir sua espinhosa missão. Missão que o motivou a se esvaziar da glória de unigênito de Deus, assumir a forma de homem e morrer do jeito que morreu. Ninguém teve mais consciência de sua vida, do seu foco, de sua missão, do que o filho de Davi, herdeiro legítimo do trono usurpado pela família de Herodes. Crise existencial é pra quem perde o foco, nunca para o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

       Nós conhecemos muito pouco de nós mesmos. Talvez você pense que seu cônjuge lhe conhece como ninguém. É Deus quem lhe conhece mais do que você pensa que poderia se conhecer. Mas há algo que sabemos, e que insistimos em retirar de nosso pensamento: somos usurpadores do trono de Deus. Tal qual miniaturas daquele rei fanfarrão somos abalados pela figura do menino. Ele nos retira do trono, que é d’Ele, mas, tal qual um pastor cuidadoso com seu rebanho, leva-nos a pastos verdejantes e ainda nos faz habitar na casa d’Ele pra todo sempre. Antes, porém, mostra-nos dolorosa e carinhosamente suas mãos e pés e seu lado, e nos diz que fez isso por amor de cada um de nós. Quando você não conseguir mais responder onde está o menino, olhe novamente para a cruz! Feliz Natal!

       Crucificado para o mundo e feliz com o natal da morte que gera vida, quem vem chegando é nosso boletim: no Pré-Meditando, o último texto natalino do ano, da saga de John Stott, retratando a fuga da família real para o Egito; no Meditando, um conto de natal de nosso sócio no ‘boletinho’, meu amado Enos Filho, e um breve resumo do movimentado fim de ano na IP Graças. Envio um caloroso abraço a irmãos queridos e não tão saudosos assim que apagaram, e apagarão antes do fim do ano, velinhas de aniversário: Teté, minha doce e estimada Teté; Tell, nossa querida jornalista que responde pela comunicação da IP Graças; e dois professores pra lá de especiais: o trovão da Escola Dominical, Hilton Victalino e o querido amigo desde os tempos em que o Pr. Sergio fingia que pegava onda, Jorginho.

        Pra não fechar o caixão da semana sem falar da putrefata republiqueta de bananas Brasil, cada vez mais apodrecida pelos maus costumes legislativos e judiciários, achei legal a contagem regressiva que minha querida Fatinha Bécker me enviou lá do Paraná. É que daqui a alguns dias entraremos mentalmente naquela escala em que numericamente faltam dois anos pra copa que vai nos roubar alguns históricos bilhões de reais. Mas, acreditando como não costumo acreditar, vocês podem ver que falta quase nada. Se não vejamos: “Para a copa de 2014 faltam 02 anos, 12 estádios, 01 seleção, 01 técnico, 30 hotéis, 14 aeroportos, 120.000 km de rodovias, 2.000 km de metrô, 06 trens-bala, 115 favelas pacificadas, 33.000 soldados preparados, 2.000 restaurantes e 150.000 motoristas de taxi falando inglês. Sejamos otimistas, falta pouco!

       É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 18h57
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16/12/2011


Crônica da Semana - Bol 1827 - 18.12.2011

       E agora? São tantas mentiras faladas pelas lideranças tupiniquins que a gente precisaria de uma ‘Comissão da Verdade’ em cada esquina pra interrogar dissimulados, buscando a verdade dos fatos. Aliás, a verdadeira comissão da verdade deveria começar os trabalhos inquirindo sobre o que pretendiam de fato os insurgentes que foram presos, muitos torturados, durante o antigo regime militar. Dizer que era uma luta por implantar democracia a gente sabe que não era. E como na republiqueta de bananas a verdade sempre dói, é melhor ir convivendo com meias verdades, mentiras inteiras, que uma legião de políticos nasceu nesse rastro medonho de suposições democráticas, e agora a gente não vai querer estragar reputações, não é mesmo?

       Mas tem reputação de líder nativo que já nasce na caixa de gordura, pra não falar da fossa, do esgoto mesmo, e o sujo com cara de homem do povo não está nem aí enquanto perdurarem os índices ugandenses de educação nacional. Vejam o pacote de benefícios que a Casa de Mãe Joana Congresso Nacional vai aprovar pros seus paupérrimos funcionários, isso pago por cada otário contribuinte, isso pra não falar dos propositores, os tais que trabalham somente às quartas. Propostas assim sempre saem em cima da hora de ir pro recreio, que poder legislativo que se preza na republiqueta, pra não falar do judiciário, goza férias escolares, quando deveria era freqüentar uma recuperação escolar permanente.

       E quando redescobrimos gente como Jorgina de Freitas, a fraudadora milionária do INSS, que agora goza pena de prisão semi-aberta, e até voltou a trabalhar em cargo comissionado, a convite de um membro do poder judiciário seu amigo, a impressão que se tem é a de que roubar a republiqueta vale muito o risco. Vejam a sucessão da ladroagem dos governantes do Distrito Federal. E não nos impressionaremos quando no futuro, ali pertinho, a ladra Jorgina entrar com uma ação contra o governo, ganhar, e aí vamos vê-la readmitida, e certamente recebendo tudo que deixou de ganhar retroativamente do governo federal. Vamos aguardar? E o que dizer do mais novo bandido ministro? Pimentel é um palestrante fantasma. Mas também ele dever ter tido uma audiência ausente superlotada de funcionários fantasmas, hein?!

      Você sabe que chegou o fim do ano quando vê as análises financeiras e os índices de inflação, a eterna inflação tupiniquim, e percebe que tudo aumentou em percentuais estratosféricos. Só diminuíram mesmo o ilusório Produto Interno Bruto, que caiu mais de 50%, e o tumor do meu dileto molusco deficiente ex-presidente, que diminui 75%. Mas você tem certeza que o final do ano chegou quando vê sua caixa postal cheia de ‘power-points’ musicais e artes em ‘corel’, pesando uma tonelada de bytes, tudo pra lhe desejar boas festas, ou ainda quando liga a televisão e assiste a qualquer porcaria, sem pé, nem cabeça, apresentada pela artista que mais fez valer seu sobrenome na história da mídia tupiniquim, Regina Casé. E mesmo que seja a mesma desgraça televisiva dos anos anteriores sempre tem gente que comenta a novidade! Ah! Antes que eu me esqueça, tem ainda os arquivos pesados em ‘pdf’ e em ‘word’ que o mala que vos escreve continua enviando! Pra não fugir à regra: “Feliz Natal” e “Feliz 2012”.

       Mas o melhor do melhor do mundo em termos de mensagens de fim de ano nos foi proporcionado pela péssima administração municipal da Veneza Brasileira: uma mensagem enaltecendo a ridícula operação tapa-buracos, aquela desencadeada com uma propaganda de fechar centenas de buracos assim, como quem sonha, só pode ser uma piada antecipando a alegre campanha eleitoral do ano que vem! Rimos bastante. Eu e borracheiro que fica ali na outra rua, que até reformou o negócio! E vamos terminando a semana meio que perplexos com dois assuntos: primeiro, ouvimos novamente que a ‘Via Mangue’ da Veneza Brasileira vai sair. Agora vai. Seria bom que saísse antes de acabar com o que restou do mangue, porque aí teriam que mudar o nome da via antes da inauguração. Bem, se Recife fosse a capital da Bahia poderíamos dizer, em bom ‘Bainês’, que a cidade está um mangue! E o segundo assunto, a operação da polícia civil do Rio de Janeiro pra prender os contraventores do jogo do bicho. Se eles queriam treinar rapel poderiam escolher tantos morros de pedra da região e deixar a vizinhança da bandidagem dormir tranquilamente. Mas, ou a bandidagem parou de investir na organização policial carioca, ou quiseram dar show pra televisão, porque bandidagem do jogo do bicho existe, com endereço comprovado, desde o tempo que se podia apostar na dezena 24 sem ser acusado de homofobia!

      Quem vem chegando, apostando apenas em viver um fim de ano pra glória de Deus é nosso boletim: no PréMeditando, mais um capítulo da saga natalina de John Stott; no Meditando, a segunda parte pra você descobrir se há lugar pra Jesus; e de resto um super-boletim com a movimentada semana da IP Graças, que começou com o natal na Rua, e teve até Hernandes Dias Lopes opinando em nome da comunidade, pra deixar Oziel dormir em paz! Antes de nos irmos envio um caloroso e saudoso abraço a tantos distantes e saudosos irmãos, especialmente nosso querido pastor doutor Wilson, que vai mais uma vez passar o natal e o ano novo antes de todos nós juntos! Na Austrália tudo chega antes da gente!    

      Enquanto vou lendo sobre a nova lei, que ficou conhecida como lei da palmada, vou pensando que se o tempo voltasse uns 04 anos provavelmente estaria sendo indiciado nesse momento. Ou se voltasse umas 04 décadas, meus pais estariam em algum presídio, junto com todos os adultos da vizinhança do bairro. Sendo que nem eu, nem meus amigos de infância, nem meus filhos, até o momento, revelaram qualquer tendência oriunda de experiências traumáticas, além do trauma de terem acreditado no movimento sindical, e considerando ainda que, de agora em diante, ficará bem mais difícil cumprir o mandamento do Senhor Jesus de dar a outra face. Não vai dar mais tempo! O agressor vai preso antes!       

        É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 10h14
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08/12/2011


Crônica da Semana - Bol 1826 - 11.12.2011

    Parou. A republiqueta de bananas Brasil parou de crescer! Pra nossa sorte a presidenta, ‘Minha Casa, Minha Dilma’ afirmou que o problema é passageiro, não especificou quanto tempo durará a parada, e juntando com o dízimo de desconto, que o governo começou a praticar nos impostos sobre fogões e geladeiras, ancorado no espírito do melhor do melhor do mundo em praticar as mais altas taxas de juros do planeta, nunca nos tirarão esse título, é feito no futebol, ninguém bate nosso histórico, os banqueiros continuarão fazendo a festa e o povinho tupiniquim entrará em 2012 com a cozinha renovada. Continuará, entretanto, sem entender porque reduzimos impostos dos componentes e continuamos pagando impostos aviltantes nos alimentos: batata, arroz, feijão, e no resto dos itens que deveriam abastecer a despensa.

        Caiu. E não foi apenas a agressão do novo código florestal que caiu feito uma bomba na cabeça dos ambientalistas, ainda por cima perdoando injustos que desmataram deslavadamente e deliberadamente as florestas, devastando matas ciliares e poluindo rios e lagos. Lembrei de uma usina de Alagoas, onde vendíamos compostos químicos que adequavam à legislação os dejetos a serem lançados no rio próximo sem agredir o meio ambiente, onde o administrador descobriu que comprar os fiscais do IBAMA era mais barato do que usar de justiça para com o planeta. Mas caiu também o ex-publicitário, agora um medíocre grileiro de terras, falsário ele continua sendo, que jogou o antigo partido que cuidava dos interesses dos trabalhadores da republiqueta, na mesma lata de lixo onde já fediam desgraçadamente o PMDB e o PSDB, além do resto da sopa nojenta de letrinhas dos outros partidos, todos nivelados numa herética espécie de ‘bacia das almas’ partidária.

       Cresceu. Mesmo sem o governo do estadinho que mais cresce na republiqueta admitir, afinal é com índices perfeitos, alguns até perfeitamente maquiados, que se constrói um capital político, o fato é que voltou a crescer assustadora e descaradamente a violência contra o povo que é obrigado a usar o péssimo sistema de transporte público da esburacada e abandonada região metropolitana da Veneza Brasileira. Cresceu o desemprego no suposto pleno emprego da ilha da fantasia na porcamente planejada circunvizinhança do Porto de Suape. E voltaram a crescer também os milionários gastos que sustentam o plano de expansão hospitalar, ocupado cada vez mais por terceirizações que não passam de uma privatização meia-boca, financiado com o dinheiro do contribuinte. E cresceu também a bagunça generalizada da prefeitura da capital, sendo que, de repente, o João velho, que tinha abandonado o João novo, que já era ‘malhado’ antes de nascer, parece que vai adotá-lo novamente feito criança pequena obrigada a tomar canja de galinha no jantar, como senha pra poder brincar com os amigos, mesmo nas férias. Pense na cara de enfado e enjôo, quase nojo, do pobre João velho!

        Extrapolou. Mal começou a temporada de festas de final de ano e a excrescência que atende pelo pomposo nome de ‘diretoria de controle urbano’ da Veneza Brasileira já extrapolou todas as raias do bom senso, vitimada pelo descontrole administrativo e apostando na opressão do cidadão através de suas decisões burramente pensadas. Então a gente tem que agüentar o completo desrespeito praticado por um colégio situado em frente ao projeto da ‘Praça Expoente’, no Bairro de Santana, que perturba o jantar da vizinhança com festinhas animadas por um sonoro e requintado lixo musical, em pleno meio de semana; mas quando propusemos uma simples cantata infantil natalina em um domingo à tarde, em frente à Igreja das Graças, no Bairro do Espinheiro, logo o órgão ressurge de sua fossa administrativa apontando a exigência absurda de um abaixo assinado da vizinhança dando uma espécie de chancela para o evento supostamente perturbador. Já que é assim, exigimos sermos consultados quanto à desgraçada prévia carnavalesca de 2012, quando o famigerado ‘Bloco do Oiti’ der sua parcela anual de contribuição na degradação do que restou da nobre flora do antigo bairro nobre da quase ex-Veneza Brasileira! Vamos aguardar o abaixo-assinado!

       Chegou. Há uma esperança que só o natal pode avivar: não obstante as pessoas descobrirem surpresas, nessa época do ano, que viveram os últimos meses na pisada medonha da música de Janis Joplin, que Wynton Marsalis e Eric Clapton deram um toque genial de qualidade, ‘Careless Love’, que ataca no coro: “Oh amor, Oh amor sem cuidados... Agora você não vê o que o seu amor sem cuidados causou?”, e passarem loucamente a investir no que chamam de caridade, tentando redimir a si mesmas diante de Deus, pela remissão momentânea de algum próximo, caído à beira do caminho, como se Deus fosse um ser de barganhas, mergulhado numa meritocracia sem fim, é o próprio espírito do natal, imortalizado no versículo que toda criança de três anos com algum princípio cristão já sabe de cor: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que n’Ele crer não pereça, mas tenha vida eterna.”, e concretizado na pessoa de Jesus, que nos remirá com um amor completamente cuidadoso, posto que totalmente gracioso. Natal só é natal porque Jesus chegou!

         Alegre com a chegada do filho do homem, quem também chegou é nosso boletim semanal de notícias: no PréMeditando, a continuação da caminhada natalina com John Stott, dessa vez destacando a fúria do abominável Rei Herodes; no Meditando, a primeira parte de uma reflexão sobre o lugar reservado pra Jesus, e a reta final agitada de 2011 da igrejinha das Graças. Antes de nos irmos aproveitamos pra enviar um abraço afetuoso a tantos distantes e saudosos irmãos: meu amado Harry, na reta final de seu casamento; Eurico e Denise, nobre casal que adotou Petrolina como cidade do coração. Deus vos abençoe grandemente!

       Acabou. Enquanto vamos acompanhando a quadrilha infiltrada, que nosso dileto ‘molusco deficiente’ impôs ao governinho de sua sucessora, a cada dois meses um bandido vai pra casa, nunca pra cadeia, que político bandido só vai preso nos Estados Unidos, e em outros países onde a lei é aplicada independente da conta bancária do sacripanta, a gente já vai, pra usar uma palavra que meu amado ‘paistor’ Enos Moura adora usar, ‘prelibando’ a suja, e impensadamente divertida, campanha política do ano que vem! Que venha 2012. E que venha logo pra gente dar boas risadas com os inverossímeis programas partidários obrigatórios e gratuitos, mas que a gente paga cada minutinho empurrado goela abaixo da população! E a comédia já começou antes da virada do ano. A sessão dessa semana foi hilária: meu molusco deficiente acabou se saindo perfeito no papel de pato rouco.   

       É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 21h15
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02/12/2011


Crônica da Semana - Bol 1825 - 04.12.2011

       Estava escrito na mesa de um engenheiro que administrava um cliente que eu atendia há alguns anos: ‘Tudo que pode ser medido, pode ser lido’. O engenheiro era corrupto e não media, nem lia, nada que não fosse de seu interesse pecuniário. Mas aí já são outros quinhentos. Reais. Nos últimos dias a republiqueta de bananas Brasil tem sido assaltada, sobressaltada é melhor, porque assaltada ela já é todos os dias do ano, com as leituras que vai obtendo a cada nova conclusão extraída das compilações do último censo. E estamos assistindo a um festival de conclusões, algumas surpreendentes, outras paradoxais, principalmente considerando o discurso triunfalista do poder atual que tem certeza que inventou a roda como nunca haviam inventado antes na história da republiqueta.

       Logo surgem as manchetes com cara de jornal de ontem: ‘Estão se casando mais’; ‘Estão se divorciando mais’; ‘Cada vez mais adolescentes em risco’; ‘Mais e mais jovens com AIDS’. Pra não falar no aumento da miséria, que ‘Minha Casa, Minha Dilma’ levantou como bandeira em seu discurso de posse, e que continua agredindo a nação, mesmo com o suposto incrível desenvolvimento das classes menos abastadas, e do plano cada vez mais abrangente das bolsas-subsídio descaradas, sempre sob o argumento sociológico defensável de que precisamos despejar esse dinheiro sem nenhuma contrapartida mesmo!

       Por nunca atacarmos as bases é que ficamos reféns dos remédios paliativos. No caso da proliferação e recrudescimento da AIDS na juventude, o que se poderia dizer? A discutirmos a prostituição, que aqui começa na mais tenra idade, buscando a utopia da educação pro ‘ser uma só carne’ apenas depois do amadurecimento emocional e econômico, tentativa de tradução para o ‘deixar pai e mãe’, preferimos estabelecer uma campanha na base do ‘me engana que eu gosto’ do usar preservativo como único meio de evitar contaminação por doenças sexualmente transmissíveis. A questão apontada pelas estatísticas, entretanto, contradiz tudo: jovens usam preservativo até no máximo a terceira relação com o mesmo parceiro, acreditando mesmo que aquela será a relação definitiva, quando será no máximo eterna enquanto durar a semana, ou exígua quanto for a eternidade de um mês! 

      As famílias vão caindo do quadro, pregado numa parede mofada, com uma arte mal desenhada, em num papel desbotado, nos garranchos da música-ficção-realidade de Paula Toller e Kid Abelha: ‘A vida, que me ensinaram como uma vida normal, tinha trabalho, dinheiro, família, filhos e tal, era tudo tão perfeito, se tudo fosse só isso...’. Quem preparou o poeta pra vida, ou escondeu a realidade, ou a desconhece mesmo por diversas limitações. Os jovens estão se expondo à luta da vida, pela construção dos relacionamentos, despreparados porque o máximo que entenderam da luta, com pouca destreza, foi fruto de uma sonegação limitante, confrontados a todo instante pelo existencialismo descartável. Sem estratégia, nem sistematização de conhecimentos, e com pouca, ou nenhuma disposição pra reestruturar, ou reconstruir, relações complexas que navegam da lama ao caos, passando pelo céu, tudo isso ao sabor dos temperamentos e humores, o que podemos esperar do cumprimento de uma promessa feita diante de Deus e dos homens? Vale enquanto dura. Quanto dura?

      Mas a letra continua e parece denunciar a articulação mental que tenta submeter essa construção: ‘... Mas isso é menos do que tudo, é menos do que preciso.’ Há um sentimento de insatisfação maior do que duzentas pirâmides de Maslow, o cientista social que tentou hierarquizar as necessidades. Atualmente o que importa é chegar ao topo, e, se possível, sem passar pelos degraus. Topo que, na teoria, é inatingível. E se alguém atacar de Salmo 131 é logo taxado de acomodado, sem ambição, podendo se preparar pra uma velhice de ostracismo, afinal, velho rico é patriarca, pobre é no máximo o porteiro do prédio! Isso tudo adicionado e bem mexido no caldeirão familiar tem funcionado como a espoleta que detona as bombas diárias do materialismo.

       É difícil olhar pra nação sem compromisso com padrões de excelência que determinem implacabilidades, a começar pelo passeio público perfeito e acessível até atingir a ética do supremo tribunal de justiça. É mais triste ainda olhar pra construção familiar sem um pacto com Deus. Sem isso ela vira um câncer que corrói a nação, mas que de fato só gerará manchete de jornal porque o debate sem Deus é lutar contra o vento que, aliás, continua soprando onde quer. O projeto de vida sem Deus é apenas construção para auto-satisfação, que também nunca acontecerá.

      Meu amado Ximenes citou um texto do profeta Isaías em e-mail recente que destaca que tipo de espírito quem quer empreender, quanto mais construir uma família, deveria ter: “O nobre projeta coisas nobres e na sua nobreza perseverará.” - Is 32:8. Falar de nobreza aqui, especialmente entre evangélicos tupiniquins, muitas das vezes é falar de uma burguesia que só se locupleta com a injustiça social, que rouba o governo em transações fraudulentas, aquelas que arrancam os cabelos da polícia federal, estão aí os queridos policiais federais Jacobs e César cada dia menos cabeludos, mas em muitas igrejas pelo país afora a máxima ainda é aquela produzida em cima da letra de Cazuza, cantor e poeta homossexual que morreu de AIDS, caso ele estivesse vivo nos dias de hoje e, evidentemente, se fosse crente: “A burguesia fede, mas investe em missões!” Pra quem continuar nesse estilo de vida os relatos do próximo censo serão puro tédio!

       Quem vem chegando sem a menor possibilidade de tédio é nosso boletim. Está bem grande essa semana: no PréMeditando, inauguramos a seqüência do natal com John Stott, que seguiremos até o fim do ano; no Meditando, nosso sócio amado, Enos Filho, falando que tipo de experiência de fé Deus espera de cada um de nós; e depois toda agitação do mês de Dezembro. Aproveito pra enviar um abraço a tantos distantes e saudosos irmãos. Meu amado Josué, ali no Peru, Kesinha Fonseca, que só encontro de vez em nunca.

       E no futebol o improvável aconteceu: depois que o Vitória da Bahia agiu como autêntico pastor charlatão daquela igreja televisiva da madrugada, a única que consegue ressuscitar um morto, e devolveu a vida ao Sport Clube do Recife, depois de atravessar o pântano do Serra Dourada, mesmo porque que a séria B inteira já tinha sido um mangue, o glorioso time da Ilha do Retiro cumpriu o vaticínio do antigo lixo musical do “Aonde a Vaca vai, o Boi vai atrás” e seguiu o Náutico pra série A. O que eles vão fazer lá somente 2012 dirá. E vai dar tempo porque a baboseira ‘Maia’ só virá depois de terminar a série A. E ano se encerra com o campeão Pernambucano da temporada virando astro pop da música mundial. O ‘Santinha’ agora virou Michael Jackson: “Preparou o show, vendeu os ingressos e morreu dentro de casa!”. Deve ser por isso que o Sport quer contratar Conrad Murray como atacante.      

       É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 11h01
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24/11/2011


Crônica da Semana - Bol 1824 - 27.11.2011

     Controvérsias recentes sobre algumas ajudas petulantes, como o soberbo ‘Auxílio Paletó’, que a politicalha legislativa nacional recebe, são facilmente explicáveis, considerando nossa dócil mente de otários cidadãos Tupiniquins. Entenda: são, no mínimo, duas passagens Brasília – Londres – Brasília, afinal de contas, quem ousaria comprar uma roupa completa sem ouvir a opinião do cônjuge? Quatro diárias ‘double’ em algum hotel londrino; os serviços de um legítimo alfaiate inglês, e, de quebra, 02 pares de sapato cromo-alemão da ‘HARRODS’. Acho que vinte mil reais por semestre como verba de auxílio paletó concedida aos paupérrimos parlamentares está até de bom tamanho! Aliás, segundo alguns usurpadores congressistas, nobres pobres de caráter também, o auxílio é parco. Consideram principalmente que até os nobres ascensoristas milionários da Casa de Mãe Joana Congresso Nacional só se vestem na ‘beca’!

       Mas de auxílio em auxílio os bolsos, e até as cuecas, ficam sempre recheados. Mas a produtividade da Casa não é modelo a ser seguido. Muito paletó ainda vai ter que rolar pela ‘Bastilha’ do Século XXI pra alimentar o apetite devasso e desenfreado desses velhacos. Eis um exemplo contundente da fluidez: em 1989 foi inscrito um projeto de lei sobre o tratamento e descarte das embalagens de produtos químicos. Com uma média de 40 quartas-feiras de sessões por ano, a Casa de Mãe Joana caminha mais devagar do que o trânsito do centro da Veneza Brasileira na hora do ‘rush’, salvo quando se vai votar o próprio salário, que aí o esforço é dobrado, coletivo e urgente. Somente por volta de 2008 é que o tal projeto de sistema de descarte de embalagens químicas de produtos industriais foi finalmente votado e aprovado como lei. Mas como, depois disso tudo, o país ainda não estava pronto pra assimilar essa prática, foi concedido um período de cinco anos a fim de que as empresas se adaptem à nova sistemática. E aí já viu: a geografia do país já estava mapeada por espertas ONG’s, sempre elas, e por projetos de sustentabilidade, que mais sustentam os espertos envolvidos com o meio-ambiente, que trabalharão esse descarte mediante módicos contratos anuais.

       Um dia essa ‘Bastilha’ vai cair, e gente como um dos filhos do escroque-rei, o grão-vizir do gueto maranhense, o que conseguiu calar um grande jornal paulistano, e que estava desfilando de doutor em meio-ambiente essa semana, na sessão-pulha em que enfiaram o presidente da Chevron, empresa responsável pelo vazamento de petróleo no litoral fluminense, vai reinar apenas em ‘Bailes Funk’ das novas favelas-comunidade cariocas pacificadas. Falando nisso, depois do sucesso da efetiva ocupação mais recente começou a rolar na internet um novo incentivo ao Batalhão de Elite da Polícia: A ocupação da Rocinha foi um sucesso. Quando será a ocupação de Brasília?”. Mas também falando em internet, e para homenagear nosso indefectível ex-presidente da republiqueta de bananas Brasil, o destaque da semana foi uma suposta homenagem que os paulistanos pretendem fazer ao molusco deficiente, rebatizando uma das principais avenidas da cidade, Avenida Marginal Pinheiros, com o sugestivo nome de ‘Marginal Luis Inácio Lula da Silva’. O nome de caráter dúbio só pode levar em conta a bagunça travestida de estelionato eleitoral do ano passado, e a maldade com o governinho novinho de ‘Minha Casa, Minha Dilma’.

      Mas quem pensa que a igrejinha corpo de Cristo, a Igreja Presbiteriana das Graças no meio, está livre dessas maldades, ou nunca leu a carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, ou ignora que ela é constituída de gente com a minha natureza. O fato é que depois de dois mil anos de história ainda tem gente tramando secretamente suas preferências pastorais no pior estilo ‘Paulo-Apolo-Cefas’, numa carnalidade egoísta digna de gente que só edifica pro reino desse mundo. Mas a cada dia se aproxima mais o momento da prova de fogo da obra de cada um. Enquanto isso, não obstante haver gente penando nas três barras que arrasam a vida de muitos homens: a barra de ouro, a barra de saia, e o conhaque de alcatrão de São João da Barra, o inimigo de nossas almas já está noutra há algum tempo, estabelecendo uma guerra de valores que divide famílias, e que transforma seu corpo numa colcha de retalhos, cheia de casais separados, profissionais liberais injustos, funcionários públicos que ignoram a bolha ilusória da previdência mal-repartida e empreendedores opressores cheios de abominações, mas que ainda assim são usados inocente e utilmente por Deus no investimento missionário. Como explicar isso? Não há dóceis mentes de cidadãos otários nesse Reino Eterno. Há apenas remidos e galardoados, ou salvos como pelo fogo, mas todos eles sendo seres-alvo comum da Graça inefável do Senhor Jesus.

       Cheio de ouvidos pra ouvir quem está chegando é nosso boletim: no PréMeditando, breve comentário sobre o método divino de cuidado eterno para conosco; no Meditando, nosso querido Rev. Dr. Wilson, falando do Deus a quem podemos seguir cantando na caminhada; uma nova seção com a opinião da comunidade, trazendo Dilene sobre a tragédia da saga Crepúsculo, e as últimas que tem agitado a vida da igrejinha. Por um problema técnico ficamos sem os aniversariantes da semana, mas na semana que vem a gente compensa. Antes de nos irmos, envio um abraço caloroso a tantos distantes e saudosos irmãos: nesses dias, com o coração pequenininho, usando as palavras de meu amado Mano, vendo tantos queridos de partida pros braços do Pai, é bom poder ter a companhia de tantos amados como Sávio, Sérgio, Lutero, Enos – Pai, li seu lindo e-mail e ainda vou responder, e Filho – nosso sócio que virá rapidinho em visita à Veneza nesses dias, Adelson, e tantos outros que enchem meu coração de alegria.

       É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 23h56
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17/11/2011


Crônica da Semana - Bol 1823 - 20.11.2011

       Li outro dia uma crônica de José Teles onde ele se dizia surpreso pela capacidade do comerciante mexicano, mesmo o mais acanhado, de sempre ter troco na hora de receber pagamentos. Ele visitou aquele país nas vésperas do famigerado ‘Dia dos Mortos’, que lá é igual a qualquer festa de partidos de apaniguados políticos tupiniquins - mesmo que a autarquia já seja uma múmia, morto vivo, já devendo tempo de aluguel sem uso de catacumbas e mausoléus, o clima será sempre de festa com privilégios e preferências. E isso vem desde a pré-história da Terra de Santa Cruz, chutando a porta da república desde que a distinta foi proclamada, feriado dessa semana.

      Mas o troco que entrou na conversa, quase saía de troco no resto do parágrafo. É que esse costume de ter troco é tipo um vício, um preciosismo, em quase todos os cantos dessa terra que jaz no maligno. Menos aqui, evidentemente. Fico pensando se no primeiro século nós tivéssemos cédulas de dinheiro, e se, além do Haiti, a Judéia também fosse aqui, como teria sido demorada a negociação do Filho da Perdição com os principais dos sacerdotes que queriam comprar Jesus: tudo porque Judas provavelmente receberia uma nota de cinqüenta pra devolver vinte moedas. A salvação de todo aquele que cresse estaria com, no mínimo, duas horas de atraso pra ser consumada!

       Vá a qualquer bodega norte-americana e pague por um ensebado hambúrguer meia boca e se prepare pra sair de lá com cada centavinho a que tem direito em seu troco. Por que aqui a gente ainda tem que receber balinha ‘Sete Belo’, ou anotar na caderneta da padaria, ou simplesmente deixar pra lá? Pra lá pro crédito do caixa no encerramento do movimento do dia, é claro! Até os protestantes do movimento ‘Ocupe Wall Street’, que na televisão parece um fenômeno, e que ao vivo não ocupa a área de uma quadra de tênis, e que um jornal local descreveu fantasiosamente como um mar de barracas, estes também valorizam os centavinhos que encontram nos ralos limpos dos banheiros da ‘Burger King’, banheiros que dividimos por alguns instantes em uma rua paralela à ocupação, dias desses.

        Aliás, ocupação que mais parece festa dos maiorais de algum desses movimentos sociais nacionais dos ‘sem algo’, mantidos pelas verbas governamentais fabricadas com nosso suado imposto, e que, à guisa de solidariedade com esse movimento quase mundial, deve ter promovido também alguma farra de bandidos em New York. Se tivessem um trator, e fizessem escala na Flórida, seria interessante assistir às conseqüências de alguma destruição de uns poucos pés de laranja do Mickey! A justiça de lá não costuma ser forte apenas com os fracos! O Obama de lá, eles sabem, é mais em baixo!

       Mas tem um troco que, paradoxalmente, ninguém gosta de receber, troco diferente que o nosso próximo, normalmente, faz questão de oferecer. É quando alguém cisma de nos ‘dar o troco’. Vira uma espécie de troco “não-troco”. Quer vivenciar essa experiência? Tão somente se engane por um segundo no trânsito e tranque alguém. Porém se você descer por um instante do pedestal que todo motorista erige pra si, a reação quase instantânea do próximo é a de abrir mão do troco que ele dará. Vira a negação do troco, ou o não “não-troco”. Deve ser parecida, em seus efeitos, com a nova modalidade de mentira inventada por esse ministro que ama nossa presidenta, verdade-mentira que só satisfaz mesmo ao pançudo: a mentira “não-mentira”, e que ainda assim não é verdade. A mentira “não-mentira” engana a mente do incauto, e nos faz rir aliviados por alguns momentos de tanta imbecilidade sem rumo. Esse não “não-troco” só satisfaz mesmo a quem não deu, mas alivia a quem não recebeu.

        Cada dia mais aliviado com o fim do ano chegando quem está é nosso boletim: no Pré-Meditando, Nélio reaparece falando dos desafios que nos treinam e aperfeiçoam; no Meditando, Ricardo Agreste nos fala do bom final, em artigo que nossa amada Teté enviou de ‘Sampa’; e de resto, o que tem agitado a vida da igrejinha, até uma programação legal de natal na igreja do Pr. Walter. Antes de nos irmos envio um caloroso abraço a tantos distantes e saudosos irmãos: Everton, Nayra, e toda família, ali na Espanha; e meu querido Marcos, e todo o pessoal do Sal da Terra.

       Dizem que foi pra evitar as conseqüências futuras inevitáveis da radiação. Mas outra versão apócrifa acabou de revelar que ficou explicado finalmente porque, mesmo tendo feito uma sucessora de forma acachapante, surfando em índices de popularidade nunca antes vistos na história da republiqueta de bananas Brasil, e mesmo depois de haver continuado no centro do espetáculo dantesco da cena política tupiniquim, cada vez mais nefasta, e ainda assim recebendo as mais belas láureas acadêmicas e faturando alto com palestras alcoolizadas, mesmo sem um simples anel do ABC do ‘Chiclete Ploc’, foi porque deixou uma péssima herança apodrecendo no governo ‘Minha Casa, Minha Dilma’; e porque empurrou uma bandidagem do mais alto nível pra dentro dos gabinetes putrefatos do planalto central, minando aos poucos a governabilidade de nossa querida presidenta, que meu ‘Molusco’ favorito não conseguiu fazer barba, cabelo e bigode! Mas dizem que pro bigode é questão de tempo! Será?    

       É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 18h24
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11/11/2011


Crônica da Semana - Bol 1822 - 13.11.2011

       Mal se calaram provisoriamente as cordas vocais do ‘Molusco deficiente’, que nos governou a republiqueta de bananas Brasil por tantos anos, e já surgiu no horizonte nebuloso da esplanada dos ministérios outro falante de bobagens dignas do nosso ex-presidente. O atrapalhado atual ministro do trabalho parece que fez um curso com o técnico interino do Sport Clube do Recife para falar frases de efeito que não valem um tostão furado. Deveria ganhar o título de ministro mais cínico que já liderou esse importante ministério. Como já veio embalado em formato de bola, naturalmente virou a bola da vez da corrupção medonha, espécie de herança maldita, pior prejuízo para o governo de ‘Minha Casa, Minha Dilma’. O esquema do ex-presidente parece que vai corroendo e imobilizando o governo atual. Com essa visão mesquinha de futuro eu já estou desconfiado de que, além da deficiência física, o nosso ex-líder máximo tinha deficiência mental também. Mas esse ministro com cara de gordinho abobalhado é no máximo, usando as pobres palavras dele mesmo, a ‘bola 07’. Deve ser a bola da vitória vazia dos que ganham e não levam nada! Eia uma espécie tosca de imitadores de figuras medíocres do passado recente.

       É difícil se galgar sucesso ou decência na vereda das imitações. A virtude na imitação vem de duas vertentes: o objeto a ser imitado, e a arte dedicada e talentosa de quem imita. Já o problema na imitação pega atalho nas duas. Eu ainda me lembro da época que produto japonês era tão de quinta quanto o são os produtos ‘chineses-paraguaios’ que a gente encontra atualmente nas vitrines tupiniquins. Depois de anos japonês virou símbolo de excelência. O que nos faz pensar que um dia poderemos ter um carro chinês sem o medo de ser enganado com aqueles niquelados típicos de artigos bregas de feira de bairro, niquelados que alguns cristãos ortodoxos, do tipo que congelou as conquistas sociais no século XVIII,  inexplicavelmente não permitem nas carenagens de seus carros!

      A republiqueta está lotada de gente postulando liderança em diversas esferas: municipal, estadual e federal, muitos tentando imitar um modelo populista que só se encaixa em momentos de transição do subdesenvolvimento, em estágios de congelamento do analfabetismo, ou considerando que continuaremos patinando surpreendidos por factóides de desenvolvimento para inglês ver. Duas lideranças, entretanto, se destacam dessa fauna de enganadores: aprecio o perfil de nossa presidenta, de sua seriedade, e de sua luta por negociar a herança recebida sem se levantar abruptamente contra o passado recente que a alavanco; e gosto do governador do estadinho que mais cresce atualmente na republiqueta, não obstante quem nasceu aqui já saber desde pequeninho que sempre tivemos humildemente os melhores e maiores do mundo em qualquer área e negócio, senão seria outro estado, nunca Pernambuco. 

       Mas a quem esses líderes imitam? Nossa presidente, a pretexto de lutar pela democracia na juventude, procurava apenas implantar outro modelo de ditadura. São ações transversais como as dos maconheiros que lutam contra a ditadura da reitoria da Universidade de São Paulo. Muitas águas rolaram por baixo da ponte de sua mente guerrilheira e se produziu alguém com a seriedade, compostura e responsabilidade que seu cargo exige. Já nosso governador desponta como um dos ícones da modernidade política na republiqueta. Tive oportunidade outro dia de ouvi-lo discursando numa indústria no distrito industrial da BR-232, ali na saída da Veneza Brasileira, e tive a nítida impressão, descontando os arroubos políticos, de estar diante de alguém que sabia do que estava falando. A velha história: modelos inspiram e formam novos modelos. E se espera que as virtudes cresçam e se aperfeiçoem.

      E essa expectativa não é diferente na caminhada do corpinho deformado do Senhor Jesus aqui na terra. Essa noiva esquálida e cheia de enfermidades congênitas luta pra imitar seu noivo. Vez por outra surgem imitadores de Jesus que também merecem ser imitados – talvez o apóstolo Paulo tenha sido o maior de todos, apesar de nunca ter havido um homem como João Batista. Mas em dado momento da existência sempre nos lembraremos dos modelos que A Palavra de Deus nos apresenta. Talvez você viva momentos tão cruciais que lhe exijam entender o modelo urgente do Ladrão da Cruz, salvo pelo gongo do calvário. Ou seu modelo seja caudaloso, difícil de lidar, mas focado nos essenciais da fé, como o foi o Rei Davi. Mas seu modelo ainda pode também ser construído a partir dos ternos afetos de misericórdia de um Pr. Lutero, da vida de oração de uma D. Onilda, ou de alguém seriamente comprometido com a Palavra de Deus como Marcio Ordonho, ou ainda de alguém de uma devocionalidade tão forte e inspirativa como a do Rev. Antonio Sávio. Há, entretanto, um perigo crucial quando escutamos palavras de autoridade de gente que virou modelo, como o citado apóstolo: todos eles são imitadores e o rasgo de autenticidade que porventura tenham gerado seria nada sem a ação do modelo original. Portanto há algo urgente a ser definido em nossas vidas – nosso modelo essencial: aquele que efetua em nós o querer e o realizar. Fora dessa caminhada e desse inspirador só há imitação barata!

       Lutando por imitar o Senhor Jesus quem vem chegando é nosso boletim: no PréMeditando, um breve texto alerta sobre o que sai do nosso coração; no Meditando, uma das mais belas páginas dos últimos tempos para o povo de Deus: uma carta de Ronaldo Lidório aos desanimados; e tudo que tem agitado a vida da igrejinha, com a Noite de Talentos do Geração Graças e o CONUPA que vem por aí. Antes de nos irmos envio um caloroso abraço a tantos saudosos e distantes irmãos: nosso querido Paulo, vivendo entre o povo Tapeba, no Ceará, espero poder avistá-lo em breve; Héber e Suzi, em Asas de Socorro, na selva amazônica, que viveram uma verdadeira maratona em forma de resgate nesses dias, e nosso estimado Harry, na reta final do casório em Minas.

      Enquanto vamos acompanhando o suposto combate programado e escalonado à violência carioca, e vamos constatando que os bandidos vivem onde todo mundo sabia desde a época em que Brizola vendeu o Rio de Janeiro à criminalidade e Garothinho ajudou a consolidar a prostituição completa do aparelho estatal – líderes medonhos que provavelmente imitavam o modelo das corrompidas lideranças de Chicago nos idos de 1930, surge uma pergunta gritando em nossos ouvidos, talvez a mesma que atordoe os melhores piores traficantes que assistem à quebra continuada dos pactos que mantinham com a corrupção policial: por que esperamos tanto?

       É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou, ainda inspirado no hino que era sucesso na voz de Jairinho com que meu amado Mano terminou o culto de domingo passado, na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 20h57
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03/11/2011


Crônica da Semana - Bol 1821 - 06.11.2011

         Como diria o impagável, e tantas vezes impublicável, Nelson Rodrigues: “O mineiro só é solidário no câncer!”. Como minha mãe é mineira, e como provavelmente ainda corram alguns mililitros do legítimo sangue mineiro nas minhas veias, resolvi hipotecar meus 45 minutos de solidariedade ao mais famoso chegado a uma ‘branquinha’ que já subiu a rampa do palácio do planalto. Agora se eu disser que são os 45 minutos finais já vai ter gente associando minha hipoteca sincera ao inveterado e sempre sufocante ‘segundo tempo’ do futebol, e aí pode ser que os cadáveres insepultos do Partido Comunista do Brasil saiam de suas covas nojentas pra protestar! De fato, na ausência de um Rei Juan Carlos nas paragens tupiniquins, pra nos livrar a todos do permanente esgotamento fétido-discursivo, no melhor estilo “Por que não te calas, Chávez?”; os produtores da mais legítima cachaça, num acordo macabro com a indústria tabagista, emudeceram o palanque do nosso dileto e quase eternamente presidente!

        Pra falar a verdade, rouco ele já estava desde as primeiras grandes greves da ‘primavera do ABC’ paulistano, lá pelos idos de 1977. É que agora, depois que assistiu às imagens do que o povo fez com o seu, usando suas próprias palavras, “irmão e líder”, Muamar Kadafi, ao descobrir o que de fato esse ditador de quinta categoria fez e promoveu ao longo de sua existência, travestida de aglutinador político, no espoliado continente africano, ele deve ter começado a sentir uma coceira danada, e pensou haver engolido mal a azeitona da empada em meio a alguma bebedeira deslavada, pra depois descobrir que era somente um tumorzinho mesmo! Agora, falando sério, todos nós esperamos de coração que nosso querido ‘molusco deficiente’ se recupere e volte logo à cena. Até porque não dá pra chegar outra vez ao dia 31 de outubro e comemorar apenas o ‘Dia do Saci’. Precisamos de outras assombrações folclóricas pra ter o que combater! E ainda mais, se tiver que falar em gestos, sem aquele dedinho precioso, vão dizer que até pra falar em ‘Libras’ o cara tem a língua presa.

        E a descoberta da doença despertou uma chuva de opiniões politicamente incorretas que não parou nem quando se ouviu o discurso esganiçado gravado pelo nosso estimado guru. E então chegou a galera tosca, que mistura sulistas de mente nazista e um bando que se esconde no anonimato da internet, recomendando que o canceroso fosse se tratar no Sistema Único que sustenta nossa saúde de primeiro mundo. Porém parece que, como ex-chefe de estado, o plano de saúde dele só cobriu internação nos corredores imundos e desorganizados do Sírio Libanês. E lá fomos nós acompanhar novamente aquele tiroteio de acusações, mais parecendo passeio noturno na Linha do Tiro, detonando setores da imprensa, e resvalando na fedida burguesia pródiga em produzir péssimos costumes nas paragens tupiniquins. A mesma burguesia aferrada ao poder é a que estaciona em cima das calçadas, obrigando as prefeituras, como ocorreu essa semana em Recife, em frente ao Palácio do Arcebispo católico romano, diante da total incompetência fiscalizadora, a interditar a calçada em vez de punir os bandidos motoristas! Mas antes que eu entre completamente pela perna do pinto, vou saindo pela do pato!

        O ano caminha em disparada pro seu fim. Os templos do consumo já estão ornamentados pro culto ao deus da época. Os mesmos enfeites mofados e aquela luminária chinesa da árvore, cheia de gambiarras e fita isolante, talvez ainda resistam mais um natal, e todo mundo já vai projetando a nova safra de despesas com pagamentos adiados pro ano que vem. Bons tempos quando só se começava a pagar em Abril! Mas pra não navegar novamente naquele discurso vazio de que se esqueceram do Deus do natal, acho que nem Deus agüenta mais ouvir isso, que tal o corpinho deformado de Jesus, que se chama pelo Seu nome, a igreja, que muitos detonam, e que alguns obstinados só visualizam a cabeça, começar a entender que é somente com unidade e amor ao próximo como a si mesmo, aquele incrível amor deliberado, que o mundo vai se render, e que boas obras, apesar de não acrescentarem uma milha ao seu caminho pro céu, é símbolo de vida da fé que se diz professar, indo muito além dessas surradas distribuições de presentinhos e cestinhas revestidas de caridade, ou até mesmo de bem elaborados planos de remissão social!  Estamos cheios de ciência e mistérios, mas amor, que é bom, quem sabe em 2012?!        

         Cheio do amor verdadeiro do Senhor Jesus quem vem chegando é nosso boletim! E de cara trazemos uma overdose de carinho assinada pelos Enos, pai e filho – pessoas especialmente amorosas e que sempre têm figurado nesse espaço, abençoando a vida da IP Graças. Nosso ‘paistor’ Enos ganhou de presente nos últimos dias, nada mais, nada menos, do que a vida! E Enos filho ganhou seu pai de novo! E de quebra ainda trazemos as últimas da igrejinha! Antes de partirmos, envio um grande e amoroso abraço a tantos saudosos e distantes irmãos: Professor Marcílio, que literalmente fugiu do furacão no México; Miquéias e Aninha, que sempre fazem muita falta por aqui - ontem conheci a prima de Miquéias, casada com o Rev. Brivaldo, que a partir de agora recebe nosso boletim também; e Jorginho Reis, que de tão branco, nas fotos de Adelson, provocou uma especulação danada sobre se era um ‘Ghost’ saído da festa de Halloween da Spanish River, a qual Adelson teria ido com Fubá e Sinésios, logicamente antes de Fubá entrar em transe na Ross!

          Algumas pessoas me perguntaram matreiramente porque nunca mais falei de futebol por aqui! Bem, aproveito o ensejo pra sinicamente esclarecer que convivo com dois torcedores que duelam dentro em mim, algo semelhante ao que ocorre entre o novo e o velho homem! E tenho tentado conter ao máximo esse velho torcedor que milita contra o novo. Vejam a diferença: sexta-feira passada o novo torcedor ficou sensibilizando quando encontrou uma capivara assustada, que tinha acabado de sair da Lagoa de Apipucos, e foi logo parando o trânsito da Av. 17 de Agosto para salvá-la; já no sábado o velho torcedor pensou que seria legal pegar um rifle e perseguir uma manada de gazelas só porque estavam buzinando alegremente: ‘tan-tan-tan... tan-tan-tan... tan-tan-tan-tan-tan-tan-tan...’, em plena Av. Rosa e Silva! O que posso dizer é que: enquanto o velho torcedor deseja todo o mal pros adversários em 2012, o novo torcedor deseja mesmo é que Jesus volte logo, antes do próximo campeonato! Imitando Sílvio Romero, o melhor do melhor do mundo em ser ex-alvi-rubro de que se tem notícia: existe isso?      

        É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 22h27
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28/10/2011


Crônica de Semana - Bol 1820 - 30.10.2011

        Em pleno aniversário da reforma protestante os tempos são de ‘Halloween’, festa idiotizada que os cursos de inglês de sotaque norte-americano tentam popularizar na macabra republiqueta de bananas Brasil. Certamente deva ser por isso que um festival de horrores continua assolando o governinho da presidenta ‘Minha Casa, Minha Dilma’, e os ministros bastardos e temporãos, a herança maldita de nossa ‘Amy WineHouse’ às avessas, que se quebrar as seqüências de vinte dias ininterruptos de álcool poderá morrer de privação repentina, o incrível ‘Cachaceiro do Planalto’, continuem caindo sorridentes e pra cima, como convém a sacripantas da situação, que morrem abraçados, sem largar o osso, e sem sair do barco, mesmo que passem a curtir um ostracismo, saindo da cabine de comando pra viverem na casa das máquinas, mas sempre torcendo pro barco não afundar!

       Dessa vez quem caiu rindo da gente foi o ministro dos esportes, e saiu apressado pra bater parabéns pra dona mulher dele lá! Quase pensei que era pra bater carteira, ação de rotina do seu partido de araque! Os otários, pagantes do festival de corrupções dos cinco anos de refestelados comunistas nesse feudo esportivo, os mesmos tais que cometeram, dentre outros golpes, o do pagamento de tapiocas com cartão corporativo – mas esse valor irrisório foi devolvido, diga-se de passagem, reforçando o anedotário tupiniquim, e ainda organizaram jogos pan-americanos 04 vezes mais caros do que os jogos atuais de uma cidade mexicana sem o mesmo charme e estrutura da cidade maravilhosa dessas paragens, otários, que somos nós mesmos, continuaremos torcendo pela minimização da corrupção já potencializada pela apetitosa Copa do Mundo – agora só faltam mesmo à republiqueta os 12 estádios e uma seleção – estamos quase lá, e pelos suculentos Jogos Olímpicos cariocas. Dá até uma dor no bolso só de pensar!

        E, como tudo que é bom, dura pouco, menos o céu, que é pra sempre, voltei do paraíso à ante-sala do inferno, mesmo desejando ir pra glória. Refiz um velho roteiro de férias e fui atingido na consciência como por um raio, ao parar pra apanhar um bilhete caído, e então disparei a pensar no seguinte: você já precisou tomar uma decisão difícil, que envolveria vários aspectos de sua vida pessoal e profissional, e pra isso consultou alguém que exercia um papel preponderante sobre algumas esferas de sua vida, obtendo todo respaldo do cidadão, e, após tomar a decisão e esperar o respaldo, o conselheiro lhe puxou o tapete, negando-o apoio, deixando-o na rua da amargura, com comprometimentos diversos em várias áreas? Você se sentiu traído?

        Durante alguns anos de minha vida fui um traidor. Traí compromissos assumidos diante de Deus e diante dos homens, mas só fui avaliar a dimensão da dor e da perspectiva de um traído quando eu mesmo sofri na pele o que chamei de traição! Naquela fração de segundos, lembrando da dor que sentira, entendi apenas um pouquinho tudo que também causara no passado mais remoto. Mas antes de me levantar, ao pensar no fiel depositário de minha esperança, no sumo sacerdote de quem não temos do que nos envergonhar, que em tudo foi provado, mas sem erro ou derrota, fui imediatamente curado de anos de ódio e de desejo de vingança. Uma alegria me arrebatou e foi saindo completamente dissimulada pelo espírito das férias. De repente levantei a cabeça sorridente, e fui passear pelos parques da cidade!

      Depois de alguns dias em que um leve triscar de cotovelos despertava um ‘excuse me’, fiquei com um tipo de saudade maluca da desgraça comum, das ruas inseguras e esburacadas da ‘ex-quase’ Veneza Brasileira, cheias de marginais ao volante, e de pedestres nojentos usando como mictório as calçadas que restaram. Mas a saudade passou em cinco minutos! Foi consumida na primeira garfada de feijão. De volta ao estadinho que mais cresce na região nordeste descobrimos que ele vai voltando à época das capitanias hereditárias, só que agora no grupo das que querem ser tecnologicamente resolvidas – é tanta montadora que em breve vão montar até ônibus espacial. A Mata Norte do estado vai entrar pro calendário automobilístico mundial, transformando o ABC paulistano em sopa de letrinhas pra sindicalistas cooptados, e até o personagem de Eduardo Sterblitch, do quadro ‘Melhor do Melhor do Mundo’, na categoria ‘Melhor do Melhor do Mundo em Não Saber pra Onde Vai’, da paródia ‘Jô Suado’, do ‘Pânico na TV’, vai mudar seu destino incerto, e sempre improvável, de Goiânia pra Goiana. E finalmente o salão do automóvel de Tejucupapo vai desbancar o de Detroit!

        Depois de duas semanas sob a batuta de minha amada May, nosso boletim vem trazendo no PréMeditando uma pequena homenagem ao aniversário da Reforma, com o relato do primeiro culto tupiniquim; no Meditando, o epílogo do artigo impactante do irmão de Suzana de Dario. E ainda as últimas da igrejinha, com as fichas de membro e anuário do nosso querido presbítero Barbosa! Antes de nos irmos envio um abraço a tantos queridos e saudosos irmãos: Fubá, Adelson, Sinésio e Jorginho Reis, devastando as gôndolas da Flórida; e meu sempre amado ‘paistor’ Enos, que nos deixou a todos felizes com a recuperação que ganhou de Deus. Esta semana, em um momento de dor pra família Rino, tive um prazer imenso de rever e abraçar pessoas amadas como Marcus, Márcia, Junior, e D Cláudia, e ainda de rever gente tão querida como Kesinha e Mary, e meu sempre amado Padre Mateus.

       Enquanto vamos atravessando um período opaco onde os organismos sociais estão em sua maioria cooptados pela velha cartilha do ‘Trotskismo’, que nos dirige há algum tempo, e a gente de repente descobre que os libertários líderes estudantis de 20 anos atrás agora são os corruptos da hora, é impossível não perceber que a grande música de Elis Regina, ‘Velha Roupa Colorida’, agora serviria no máximo como aviso aos navegantes do impossível ministério de minha querida presidenta: “Você não sente, não vê, Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, Que uma nova mudança em breve vai acontecer”.

        E o envelhecimento precoce da ética, a amoralidade das lideranças, e o aspecto pálido de quem deveria se manifestar, sonhando, ou exigindo, um futuro melhor, encaixa-se com o resto da música: “O que há algum tempo era novo, jovem, Hoje é antigo, E precisamos todos rejuvenescer... Nunca mais você saiu à rua em grupo reunido, O dedo em V, cabelo ao vento, Amor e flor, quede o cartaz? No presente a mente, o corpo é diferente E o passado é uma roupa que não nos serve mais... Como Poe, poeta louco americano, Eu pergunto ao passarinho: ‘Blackbird, o que se faz?’... ‘Raven never raven never raven’... Blackbird me responde... Tudo já ficou pra trás ‘Raven never raven never raven’... Assum-preto me responde: ‘O passado nunca mais’... O que há algum tempo era novo, jovem, Hoje é antigo... E precisamos todos rejuvenescer... E precisamos rejuvenescer”.

        É isso aí pessoal. A gente se encontra no domingo, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 12h00
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07/10/2011


Crônica da Semana - Bol 1817 - 09.10.2011

       Fui obrigado a pensar no trânsito novamente. É que há um festival de presentes de Deus, e de frutos da vontade do Pai, rodando por aí que causa preocupação se analisamos a qualidade dos veículos que carregam as ditas mensagens dos novos oráculos motoristas: ou Deus é de um mau-gosto dos diabos, preferindo apenas carros de mil cilindradas e vans de aluguel, conduzidas por insanos vindo das brenhas interioranas; ou carros de cilindradas maiores são presenteados por outra divindade, que não é outra senão o ‘Sapricó’, inimigo da alma de meu amado Mano e, por tabela, de nossas almas todas; ou então são falsas todas as alternativas anteriores e Deus tem preocupações mais nobres, deixando esses presentinhos pra esfera da importância do fio de cabelo que caiu agora mesmo de minha cabeça. E como estão caindo! Ainda sobre os veículos: incluir estética na análise é perda de tempo, afinal, como diria o adesivo de gosto duvidoso: “Quando Deus quer é assim!” Será?

       Quando se faz a catarse de sair do trabalho, sofrendo entre motoristas egoístas e mal-educados, e se consegue adentrar a sala de casa sem ter sido assaltado, livre mesmo de ter sido assassinado, justo na republiqueta de bananas que mais mata no mundo, e olhem que já até antecipamos o dízimo dos assassinatos relativos e absolutos, quase perdemos a alegria da sobrevivência quando ligamos a televisão. A leviana revoada neopentecostal, ancorada no discurso maldoso de líderes maquiavélicos, daquele maquiavelismo que traduz mensagens, supostamente recebidas como revelação do Deus altíssimo, de repente quer transubstanciar querências de Deus em símbolos medíocres de prosperidade, jogando na lata do lixo a página seguinte da galeria dos heróis da fé, bem escrita e ensangüentada, da epístola-livro enviada aos Hebreus. Se realmente é Deus quem deseja algo em sua existência, então saída de baixo e vá viver a aventura de uma vida com propósito, ou, do contrário, se prepare pra viver a falta de propósito de uma vida de aventura!

        Mas a querela televisiva neopentecostal, essa fede sempre mais e a olhos vistos, cheia de lobos travestidos assustando as ovelhinhas na calada da noite com esdrúxulas tergiversações teológicas, manipulações emocionais, e sincretismos que perdem em mediocridade pros filmes de Zé do Caixão! Se as películas ao menos tivessem algum nível intelectual certamente mereceriam uma análise crítica, e que viraria obra literária no melhor estilo ‘Não Sintonize Essa Rede’, de meu cinéfilo exorcista favorito: Dr. Samuel Costa! Mas do jeito que a palhaçada se apresenta, qualquer criança, discípula de Scheila Avellar, Eva Peixoto e Eliana Souto, que freqüente o departamento infantil da IP Graças, e que saiba o ‘B-A-BÁ’ do evangelho de João, já transforma qualquer mala desses em um tremendo ‘mala-sem-alça’!

        E o mundo chora a morte de Steve Jobs, o fantástico inventor que seduziu a última geração. Engraçado é perceber a famosa logomarca de sua fantástica empresa: uma maçã mordida. A sedução original de que o homem foi alvo, voltando a falar do inimigo da alma de meu Mano, e nossa também, foi morder um fruto, que muitos ainda pensam que era uma maçã, mas que correspondeu, no acanhamento abrupto de seu cérebro humanóide, a pensar que poderia ousar somente, confundindo desobediência e indisciplina com rompimento de paradigmas. Criatura não é igual a criador, nem na tecnologia. Se bem que os i-Phones de vez em quando precisem de uma reinstalação que mais parece uma quimioterapia. Pelo menos nenhum morreu ainda!

       Aqui na republiqueta de bananas Brasil a vida continua ‘como sempre’.  Pelo menos mudou o discurso, porque antes, no reinado do encachaçado do planalto, seria ‘como nunca’! Como nunca na história inteira, diga-se de passagem. Mas entra ano e sai ano, e vamos pra mais uma eleição, a campanha já começou, e se alguém duvidar é só olhar a agenda do atual figurante de prefeito da Veneza Brasileira, e não teremos novamente uma reforma política digna. Reforma fiscal então é luxo pra quando a gente virar Bélgica, sem deixar de ser Índia, pelo menos no que a Índia tem de pior, porque no que ela tem de melhor, com essa educação que a gente tem, estamos mesmo indo a Botswana.

       Mas continuamos na caminhada e cada vez mais de dedo em riste, ensinando reza a santo, e dando lição nas autoridades monetárias globais, muito embora jornais, como o ‘Financial Times’, que na visão nebulosa dos titulares do poder atual da republiqueta, seria quase um tablóide, criticando os conselhos de ‘Minha Casa, Minha Dilma’, tenha acusado o posicionamento de minha grande presidenta de falta de realismo e hipocrisia. É isso: talvez já tenha passado da hora do antigo partidinho, que defendia os interesses dos trabalhadores tupiniquins, subir no palanque e propor a expansão das amarras, manietando os meios de comunicação levianos, e à imprensa golpista, que no fundo são todos que criticam, da republiqueta pro resto do mundo!?

       Ainda livre pra se expressar quem vem chegando é nosso boletim: no PréMeditando um pequena reflexão sobre perdão, sobre se colocar no lugar do outro, sentimento que vem faltando no festival de hipocrisias que assola a igreja, com muitas reflexões questionáveis, cheias de intenções maldosas e sorrateiras que visam solapar a caminhada pastoral. À confrontação de seu estilo de vida pecaminoso, muitos preferem o suave discurso dos aparentemente agradáveis e comprometidos fariseus. No Meditando, uma pequena análise sobre o que se está fazendo com os seminários teológicos, que vai como homenagem aos nossos dedicados professores. E de resto tudo que anda nas bocas da igrejinha, incluindo o 19º ECC que vem chegando! Antes de nos irmos, envio um caloroso abraço ao nosso amado ‘Paistor’ Enos, que adoeceu em São Paulo, uma situação um tanto quanto complicada, mas que está nas mãos do nosso bondoso Deus. Nossa querida Valéria Moura está lá, acompanhando seu irmão e, pra quem necessitar mais informações, informa um telefone: 0 XX 11 68696292.

         Estou partindo dessa pra melhor. Vou sair de férias. Nas próximas duas semanas vocês ficarão na companhia muito mais agradável de minha amada Mayrane Lima, a única com som de ‘Mei’ da IP Graças. É isso aí pessoal. A gente se encontra novamente daqui a três semanas, ou na glória. Maranata!

Adilton Andrade

Escrito por Adilton Andrade às 08h34
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