Os caras mais loucos que conheci foram: um maconheiro de quem não sabia o nome e que morava no lugar mais distante que eu achava quando tinha 07 anos: lá no fim da rua, dobrando à direita, numa casa, ou semi-construída, ou semi-abandonada, ao lado da casa de D Neusa, mãe de Fábio; quando ele passava pela frente de minha casa falando sozinho, e mexendo os dedos como um tecladista virtual, as crianças corriam e se escondiam onde desse; o outro foi Barra-Limpa, famoso maluco-boa-praça, lá de Boa Viagem, que vivia capinando as ruas do bairro quando havia o que se capinar, e fazendo todo tipo de serviço, além de ser gozado pela turba adolescente. Ambos, o maconheiro e Barra-Limpa, carregavam um estigma de proscritos, de alguém pra quem não havia mais esperança! Ambos não falavam coisa com coisa, e ainda deixavam seus interlocutores também meio aluados com seus discursos desconexos e suas viagens que iam de ‘Nacional Kid’ a ‘Ésper’, super-heróis japoneses de gostos duvidosos da época, passando pelas batalhas intergalácticas que povoavam as mentes juvenis quando se pensava que o mundo acabaria em 2000!
Essa semana, ouvindo o discurso de meu dileto molusco que nos preside a republiqueta de bananas brasil, lembrei-me, não do maconheiro exatamente, porque isso seria lembrar do ministro que atende pela alcunha de Carlos ‘Maconha’ Mink, além do que a droga que meu estimado presidente gosta é ingerida, não tragada, mas lembrei de Barra Limpa, meu doce maluco da praia de Boa Viagem. No meio do discurso de improviso sobre o anúncio da queda do desmatamento tupiniquim, já que antes a gente contava estádios de futebol desmatados, agora a contagem é no máximo em campinhos do time pernambucano da Barbie, meu amado molusco saiu-se com essa pérola:
- “Então, essa questão do clima é delicada por quê? Porque o mundo é redondo. Se o mundo fosse quadrado, ou retangular, e a gente soubesse que o nosso território está a 14 mil quilômetros de distância dos centros mais poluidores, ótimo, vai ficar só lá. Mas, como o mundo gira, e a gente também passa lá embaixo onde está mais poluído, a responsabilidade é de todos”.
Barra Limpa exportou sua eloqüência e já fez seguidores até no planalto central.
Se loucos são tratados com um romantismo divertido, tanto no folclore, quanto no anedotário popular, na caminhada bíblica a loucura é comparada à completa falta de senso espiritual, à total falta de foco no que realmente constrói uma experiência com o Pai das Luzes. Quando o fazendeiro rico, ou o rico insensato, ou aquele próspero agricultor descrito pelo Senhor Jesus, acumulara uma super-safra, armazenara tudo em novíssimos celeiros, sentara-se na varanda de sua casa, preparando-se pra viver regaladamente os próximos anos de sua vida ensimesmada, o próprio Deus se dirigiu a ele cobrando sua alma naquela mesma noite e o tratando como ‘louco’!
Domingo passado ouvimos no culto da tarde um sermão histórico da boca de Ronaldo Lidório. Aliás, parece que ouvir Ronaldo é ouvir a própria história da IP Graças passando em revista, Inspirado pelo Espírito Santo, dedo em riste, ouvimos uma grande exortação a respeito do estilo de vida que nos tem sido imposto, surpreendentemente assimilado, e que muitas vezes tem contaminado o corpo do Senhor Jesus aqui na terra. A loucura de cada um foi exposta e o convite foi o mesmo feito por João Batista: “Arrependei-vos!”. Ainda vivemos na dispensação da Graça e, a despeito de não sabermos se o Senhor nos requererá a alma hoje à noite, Ele ainda continua afirmando: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei!”
Abraçando a verdadeira nova modalidade de loucura, a de Jesus na cruz, nosso boletim traz no Pré-Meditando mais uma vez o amado pastor Caio tratando rápida e profundamente sobre ‘regeneração’, algo que só o Espírito Santo pode fazer; no Meditando, Dakinho chega novamente e falando da ‘essência da humildade’ - o impacto que a decisão de fidelidade de Jesus causou em nossas vidas; o Caderno de Missões abre com Everton e Nayra e as notícias do progresso da igreja em Sevilha; mostra Samuel Tito e o VPC NE em um relato emocionante sobre a ida de Jorge Rehder pro Céu; Lara Tainá nos fala da experiência emocionante do Transforma Jovem; e fecha com Sérgio e Miriam nos atualizando sobre a vida entre os ‘Ribeirinhos da Amazônia’; trazemos mais uma Página Especial dos Pequenos Grupos, a página do Ministério da Infância e as últimas da vidinha eclesiástica, com destaques pra ida de Miquéias e Aninha pro Canadá, o que já nos enche de saudades, e uma foto marcante, no Baú do Pr Enos, da época em que a IP Graças literalmente plantava suas bases!
Envio um imenso abraço aos saudosos e distantes irmãos, especialmente a Heber e Suzi, missionários de Asas de Socorro em Roraima; a Everton e Nayra, missionários em Sevilha, Espanha, que também passam a nos ler a partir de hoje. Antes de nos imos, porém, façamos uma pequena pausa ainda na Espanha, onde os médicos criaram uma grande expectativa no cérebro quase oco de meu estimado molusco afirmando que ingerir bebida alcoólica regularmente faz bem ao coração. Como só saíram os resultados da ingestão de vodka, cerveja e vinho, vinho que até Paulo já recomendava a Timóteo, meu estimado molusco acabou de ter uma ‘boa idéia’: vai patrocinar um estudo sobre os benefícios da caninha no dia-a-dia! Até agora ele só descobriu mesmo a soneca da tarde!
É isso aí, pessoal. Maranata! Vejo vocês no domingo, ou na glória! Fui!
Adilton Andrade




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